Doença de von Willebrand: Diagnóstico e Manifestações

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 19 anos, em avaliação pré-operatória de rinoplastia evidenciou-se tempo de tromboplastina parcial ativado (TTPa) prolongado. Refere epistaxes frequentes e equimoses espontâneas desde a infância, e sangramento uterino anormal (ciclos menstruais com duração de mais de 10 dias, com coágulos e necessidade de absorvente noturno contínuo). Mãe com sintomas menstruais semelhantes. Nega outros familiares com história de sangramentos. Nega hemartroses. Nega procedimentos cirúrgicos prévios. Exame físico sem alterações. Exames laboratoriais: Hb: 11,9 g/dL; VCM: 79 fL; GB: 6.100/µL; plaquetas: 280.000/µL; TTPa: 54 segundos (VN < 44,6); TP (Tempo de protrombina): 12,5 segundos (VN < 17,3). Qual elemento do sistema hemostático da paciente mais provavelmente está disfuncionante?

Alternativas

  1. A) Fator de von Willebrand.
  2. B) Plaquetas.
  3. C) Fibrinogênio.
  4. D) Fator VIII da coagulação.

Pérola Clínica

TTPa prolongado + sangramento mucocutâneo + história familiar em mulher = Doença de von Willebrand.

Resumo-Chave

A Doença de von Willebrand é a coagulopatia hereditária mais comum, caracterizada por sangramento mucocutâneo (epistaxes, menorragia, equimoses) e TTPa prolongado devido à deficiência ou disfunção do fator de von Willebrand, que afeta a adesão plaquetária e a estabilização do Fator VIII.

Contexto Educacional

A Doença de von Willebrand (DvW) é a coagulopatia hereditária mais comum, afetando aproximadamente 1% da população, embora muitas vezes subdiagnosticada. É causada por uma deficiência quantitativa ou qualitativa do fator de von Willebrand (FvW), uma glicoproteína plasmática multifuncional. O FvW desempenha um papel crucial na hemostasia primária, mediando a adesão das plaquetas ao subendotélio vascular, e na hemostasia secundária, atuando como carreador e protetor do Fator VIII da coagulação contra a degradação. A compreensão de sua fisiopatologia é essencial para o diagnóstico e manejo. As manifestações clínicas da DvW são predominantemente sangramentos mucocutâneos, como epistaxes recorrentes, sangramento gengival, menorragia (sangramento menstrual excessivo), equimoses fáceis e sangramento prolongado após cirurgias ou traumas. A história familiar de sangramentos semelhantes é um forte indicativo. O diagnóstico laboratorial envolve a avaliação do tempo de tromboplastina parcial ativado (TTPa), que pode estar prolongado devido à deficiência secundária de Fator VIII, enquanto o tempo de protrombina (TP) e a contagem de plaquetas são geralmente normais. Testes específicos para FvW, como o antígeno do FvW (FvW:Ag), a atividade do cofator da ristocetina (FvW:RCo) e a atividade do Fator VIII (FVIII:C), são necessários para confirmar o diagnóstico e classificar o tipo de DvW. O tratamento da DvW visa controlar os episódios de sangramento e prevenir complicações em procedimentos invasivos. As opções terapêuticas incluem desmopressina (DDAVP), que libera FvW e FVIII armazenados, e concentrados de FvW/FVIII. O manejo pré-operatório é crucial para evitar sangramentos excessivos. O prognóstico é geralmente bom com o tratamento adequado, mas a doença pode ter um impacto significativo na qualidade de vida se não for bem controlada. O residente deve estar apto a reconhecer o padrão de sangramento, solicitar os exames corretos e iniciar o tratamento apropriado para pacientes com DvW.

Perguntas Frequentes

Quais são as manifestações clínicas típicas da Doença de von Willebrand?

As manifestações clínicas são predominantemente sangramentos mucocutâneos, como epistaxes frequentes, sangramento gengival, menorragia (sangramento menstrual intenso e prolongado), equimoses fáceis e sangramento prolongado após pequenos traumas ou cirurgias. Hemartroses são raras, diferentemente da hemofilia.

Por que o TTPa pode estar prolongado na Doença de von Willebrand, enquanto o TP e as plaquetas são normais?

O fator de von Willebrand (FvW) é essencial para a adesão plaquetária e também atua como carreador e estabilizador do Fator VIII da coagulação. Sua deficiência ou disfunção leva a uma redução dos níveis de Fator VIII funcional, que faz parte da via intrínseca da coagulação, resultando em TTPa prolongado. O TP (via extrínseca) e a contagem de plaquetas geralmente permanecem normais.

Como a Doença de von Willebrand se diferencia da Hemofilia A?

Ambas podem ter TTPa prolongado devido à deficiência de Fator VIII. No entanto, a Hemofilia A é uma doença ligada ao X, afetando predominantemente homens, com sangramentos mais profundos (hemartroses, hematomas musculares). A Doença de von Willebrand afeta ambos os sexos, é a coagulopatia hereditária mais comum, e se manifesta principalmente com sangramentos mucocutâneos, além de ter história familiar em ambos os sexos.

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