Doença de von Willebrand: Diagnóstico e Manifestações Clínicas

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 21 anos, em avaliação pré-operatória de otoplastia evidenciou-se tempo de tromboplastina parcial ativado (TTPa) prolongado. Refere epistaxes frequentes e equimoses espontâneas desde a infância, e sangramento uterino anormal (ciclos menstruais com duração de mais de 10 dias, com coágulos e necessidade de absorvente noturno contínuo). Mãe com sintomas menstruais semelhantes. Nega outros familiares com história de sangramentos. Nega hemartroses. Nega procedimentos cirúrgicos prévios. Exame físico sem alterações. Exames laboratoriais: Hb: 11,7g/dL; VCM: 78fL; GB: 6.200/µL; plaquetas: 250.000/µL; TTPa: 53 segundos (VN < 44,6); TP (Tempo de protrombina): 13,5 segundos (VN < 17,3). Qual elemento do sistema hemostático da paciente mais provavelmente está envolvido?

Alternativas

  1. A) Fator de von Willebrand
  2. B) Plaquetas
  3. C) Fibrinogênio
  4. D) Fator VIII da coagulação

Pérola Clínica

TTPa prolongado + sangramentos mucocutâneos + menorragia + história familiar = Doença de von Willebrand.

Resumo-Chave

A Doença de von Willebrand (DvW) é o distúrbio de coagulação hereditário mais comum, caracterizado por deficiência ou disfunção do Fator de von Willebrand (FvW). Manifesta-se com sangramentos mucocutâneos (epistaxes, equimoses, menorragia) e TTPa prolongado, pois o FvW é carreador do Fator VIII, que participa da via intrínseca da coagulação.

Contexto Educacional

A Doença de von Willebrand (DvW) é o distúrbio de coagulação hereditário mais prevalente, afetando tanto homens quanto mulheres. É causada por uma deficiência quantitativa ou qualitativa do Fator de von Willebrand (FvW), uma glicoproteína essencial para a hemostasia primária (adesão plaquetária ao subendotélio) e secundária (proteção e transporte do Fator VIII da coagulação). A suspeita clínica surge em pacientes com história de sangramentos mucocutâneos, como epistaxes, equimoses, sangramento gengival e menorragia, frequentemente com história familiar positiva. O caso clínico apresentado é clássico para DvW: mulher jovem com TTPa prolongado, sangramentos mucocutâneos desde a infância, menorragia e história materna semelhante. O TP normal e a contagem de plaquetas normal afastam outras coagulopatias e trombocitopenias. O TTPa prolongado na DvW ocorre devido à redução dos níveis de Fator VIII, que é estabilizado pelo FvW. Sem FvW funcional, o Fator VIII é rapidamente degradado, comprometendo a via intrínseca da coagulação. O diagnóstico definitivo envolve a dosagem do FvW antígeno, a atividade do cofator da ristocetina (que avalia a função do FvW) e os níveis de Fator VIII. É crucial para residentes saberem que a DvW é uma causa comum de sangramentos e que seu manejo adequado, especialmente em situações pré-operatórias ou durante a gravidez, é fundamental para prevenir complicações hemorrágicas. O tratamento pode incluir desmopressina (DDAVP) ou concentrados de FvW/Fator VIII, dependendo do tipo e gravidade da doença.

Perguntas Frequentes

Quais são as manifestações clínicas típicas da Doença de von Willebrand?

As manifestações clínicas da Doença de von Willebrand são predominantemente mucocutâneas, incluindo epistaxes frequentes, equimoses fáceis, sangramento gengival, menorragia (sangramento uterino anormal) e sangramento prolongado após pequenos traumas ou cirurgias. Hemartroses são raras, distinguindo-a das hemofilias.

Por que o TTPa pode estar prolongado na Doença de von Willebrand?

O Fator de von Willebrand (FvW) atua como carreador e protetor do Fator VIII da coagulação. Na DvW, a deficiência ou disfunção do FvW leva a uma degradação mais rápida do Fator VIII, resultando em níveis reduzidos de Fator VIII. Como o Fator VIII faz parte da via intrínseca da coagulação, sua deficiência prolonga o TTPa.

Quais exames laboratoriais são essenciais para o diagnóstico da Doença de von Willebrand?

Além do TTPa prolongado, os exames diagnósticos incluem a dosagem do Fator de von Willebrand antígeno (FvW:Ag), atividade do cofator da ristocetina (FvW:RCo) para avaliar a função do FvW, e a dosagem do Fator VIII. A relação FvW:RCo/FvW:Ag é importante para diferenciar os tipos de DvW.

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