Doença de Von Willebrand: Diagnóstico e Manejo da Menorragia

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

Mulher de 21 anos de idade procura o ambulatório por queixa de astenia e sonolência. Refere que suas menstruações ocorrem em ciclos regulares a cada 30 dias, com duração média de 10 dias e fluxo abundante. Refere que este padrão se mantém desde a menarca, que ocorreu aos 13 anos de idade. Exame clínico normal, exceto por palidez 2+/4+. Exames laboratoriais: Quanto à alteração no coagulograma, qual é a principal hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Deficiência do fator VIII.
  2. B) Doença de Von Willebrand.
  3. C) Deficiência do fator XI.
  4. D) Trombastenia de Glanzmann.

Pérola Clínica

Menorragia desde menarca + astenia/palidez → suspeitar Doença de Von Willebrand.

Resumo-Chave

A Doença de Von Willebrand é a coagulopatia hereditária mais comum, caracterizada por sangramentos mucocutâneos, como menorragia desde a menarca, epistaxe e equimoses. A anemia e sintomas como astenia e sonolência são consequências do sangramento crônico.

Contexto Educacional

A Doença de Von Willebrand (DVW) é a coagulopatia hereditária mais prevalente, afetando tanto homens quanto mulheres, embora as manifestações clínicas sejam frequentemente mais evidentes no sexo feminino devido à menorragia. É causada por uma deficiência ou disfunção do fator de Von Willebrand (FvW), uma proteína essencial para a adesão plaquetária e para a proteção do fator VIII da coagulação. A importância clínica reside no risco de sangramentos excessivos, que podem levar à anemia e impactar significativamente a qualidade de vida. O quadro clínico típico da DVW inclui sangramentos mucocutâneos desde a infância ou adolescência. No caso apresentado, a paciente relata menorragia (menstruações abundantes e prolongadas) desde a menarca, acompanhada de astenia e palidez, que são sintomas de anemia ferropriva secundária ao sangramento crônico. A história familiar de sangramentos também é um dado importante, mas nem sempre presente. O diagnóstico laboratorial envolve a avaliação dos níveis e função do FvW e do Fator VIII. O manejo da DVW visa controlar os episódios de sangramento e prevenir complicações. As opções terapêuticas incluem desmopressina (DDAVP), que estimula a liberação de FvW endógeno, antifibrinolíticos como o ácido tranexâmico para sangramentos mucosos, e, em casos mais graves ou cirurgias, a reposição de concentrados de FvW/FVIII. O tratamento da anemia ferropriva com suplementação de ferro é fundamental.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da Doença de Von Willebrand?

Os sintomas mais comuns incluem sangramentos mucocutâneos, como menorragia (sangramento menstrual intenso), epistaxe (sangramento nasal), sangramento gengival, equimoses fáceis e sangramento prolongado após traumas ou cirurgias, variando em gravidade.

Como é feito o diagnóstico laboratorial da Doença de Von Willebrand?

O diagnóstico envolve a dosagem do fator de Von Willebrand (FvW:Ag), da atividade do cofator ristocetina (FvW:RCo) e do fator VIII (FVIII:C). O tempo de sangramento pode estar prolongado, mas não é um teste específico e isolado para o diagnóstico.

Qual o tratamento para a menorragia em pacientes com Doença de Von Willebrand?

O tratamento pode incluir desmopressina (DDAVP) para aumentar os níveis de FvW e FVIII, antifibrinolíticos (ácido tranexâmico), contraceptivos orais para controlar o sangramento menstrual e, em casos graves ou cirúrgicos, concentrados de FvW/FVIII.

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