Hemangioblastoma Retiniano e Síndrome de Von Hippel-Lindau

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2023

Enunciado

Paciente assintomático, apresenta lesão retiniana vermelho - alaranjada na média periferia, com artéria tortuosa aferente e veia eferente dilatada. Qual a conduta mais apropriada neste momento, dentre as abaixo?

Alternativas

  1. A) Observação.
  2. B) Ultrassom abdominal.
  3. C) Biópsia de pele.
  4. D) Punção lombar.

Pérola Clínica

Hemangioblastoma retiniano → Rastrear Von Hippel-Lindau (VHL) com USG abdominal.

Resumo-Chave

A presença de um hemangioblastoma capilar da retina é frequentemente o primeiro sinal da Síndrome de Von Hippel-Lindau, exigindo investigação sistêmica para tumores viscerais graves.

Contexto Educacional

O hemangioblastoma capilar da retina (ou angioma retiniano) é um tumor vascular benigno, mas com alto potencial de complicações oculares devido à exsudação. Clinicamente, a tríade de lesão alaranjada, artéria aferente tortuosa e veia eferente dilatada é patognomônica. Cerca de 25% a 50% dos pacientes com essa lesão apresentam a Síndrome de Von Hippel-Lindau (VHL). A Síndrome de VHL é causada por uma mutação no gene supressor de tumor VHL. A importância do diagnóstico precoce reside na detecção de tumores viscerais. O carcinoma de células renais ocorre em cerca de 70% dos pacientes ao longo da vida e é a principal causa de morte. Portanto, diante de um achado ocular sugestivo, a investigação sistêmica com exames de imagem (como o ultrassom abdominal ou ressonância magnética) e testes genéticos é mandatória e urgente para mudar o prognóstico de sobrevida do paciente.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza o hemangioblastoma capilar retiniano no exame de fundo de olho?

O hemangioblastoma capilar retiniano apresenta-se classicamente como uma lesão nodular vermelho-alaranjada ou rosada, geralmente localizada na periferia ou média periferia da retina. Uma característica diagnóstica marcante é a presença de vasos nutridores calibrosos e tortuosos: uma artéria aferente dilatada e uma veia eferente também dilatada que drenam a lesão. Com o tempo, essas lesões podem causar exsudação lipídica sub-retiniana e descolamento de retina tracional ou exsudativo.

Por que o ultrassom abdominal é a conduta prioritária?

O hemangioblastoma retiniano é um componente maior da Síndrome de Von Hippel-Lindau (VHL), uma doença autossômica dominante de alta penetrância. Pacientes com VHL têm alto risco de desenvolver carcinoma de células renais (RCC), feocromocitomas e cistos pancreáticos. O ultrassom abdominal é um exame de triagem inicial acessível e eficaz para detectar massas renais ou adrenais, que são as principais causas de morbimortalidade sistêmica nesses pacientes.

Quais outros órgãos devem ser avaliados na suspeita de VHL?

Além da avaliação oftalmológica e abdominal (rins, adrenais e pâncreas), o rastreio para VHL deve incluir o sistema nervoso central (SNC), especialmente o cerebelo e a medula espinhal, onde hemangioblastomas são comuns. A triagem auditiva também é importante para detectar tumores do saco endolinfático. O aconselhamento genético e o teste para mutações no gene VHL (cromossomo 3p25) são fundamentais para o paciente e seus familiares de primeiro grau.

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