Doença de Vogt-Koyanagi-Harada: Fases e Diagnóstico

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2010

Enunciado

Com relação à doença de Vogt-Koyanagi-Harada, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) Pode ser secundária ao uso de altas doses de corticosteroides
  2. B) A ocorrência de pleocitose no liquor é sinal de complicação e mau prognóstico
  3. C) Os sinais de irritação meníngea ocorrem na fase prodrômica
  4. D) Ocorre após trauma ocular grave, especialmente com exposição uveal

Pérola Clínica

VKH → Fase prodrômica com sinais de irritação meníngea (cefaleia, meningismo).

Resumo-Chave

A Síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada é uma doença multissistêmica autoimune que afeta tecidos com melanócitos, iniciando-se frequentemente com sintomas neurológicos (fase prodrômica).

Contexto Educacional

A VKH é uma das principais causas de uveíte posterior em populações pigmentadas (asiáticos, hispânicos e negros). O diagnóstico precoce na fase prodrômica ou uveítica aguda é crucial, pois o tratamento agressivo com corticosteroides sistêmicos em altas doses pode prevenir a progressão para a fase de convalescença e sequelas visuais graves como glaucoma e catarata. A fisiopatologia envolve uma resposta imune mediada por células T contra antígenos de melanócitos. Por isso, a doença afeta não apenas os olhos (coroide), mas também o sistema nervoso central (meninges), o sistema auditivo (cóclea) e a pele, todos locais ricos em melanócitos ou células derivadas da crista neural.

Perguntas Frequentes

Quais são as quatro fases clínicas da doença de VKH?

A doença de Vogt-Koyanagi-Harada (VKH) evolui em quatro estágios: 1) Fase Prodrômica: caracterizada por sintomas virais, cefaleia, zumbido e sinais de irritação meníngea; 2) Fase Uveítica Aguda: marcada por panuveíte granulomatosa bilateral e descolamentos serosos da retina; 3) Fase de Convalescença: onde ocorre a despigmentação da coroide (aspecto em 'pôr do sol') e da pele (vitiligo, polioze); 4) Fase Crônica Recorrente: com episódios de uveíte anterior granulomatosa.

Qual a importância da análise do líquor na VKH?

A análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) é fundamental na fase aguda da VKH. A presença de pleocitose linfocitária (aumento de glóbulos brancos no líquor) é um achado clássico e faz parte dos critérios diagnósticos. Diferente de infecções, essa pleocitose é transitória e não indica necessariamente um mau prognóstico, mas sim a natureza inflamatória sistêmica da doença contra os melanócitos das meninges.

Como diferenciar VKH de Oftalmia Simpática?

A principal diferença reside no histórico clínico: a Oftalmia Simpática ocorre obrigatoriamente após um trauma ocular penetrante ou cirurgia ocular prévia no olho 'excitador'. Já a VKH é uma condição autoimune idiopática, sem história de trauma. Além disso, a VKH apresenta manifestações sistêmicas mais frequentes, como envolvimento auditivo (disacusia) e tegumentar (vitiligo), que são raros na Oftalmia Simpática.

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