CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2016
Paciente com doença de Vogt-Koyanagi-Harada em tratamento com corticoterapia por via oral há algumas semanas, teve a inflamação do segmento anterior controlada há 1 mês. Mas desenvolveu catarata que está prejudicando sua visão e dificultando a avaliação do fundo do olho. Qual a conduta mais adequada neste momento?
Cirurgia de catarata na uveíte → Olho calmo (sem células) por no mínimo 3 meses consecutivos.
O sucesso da facectomia em pacientes com uveítes crônicas, como a síndrome de VKH, depende obrigatoriamente de um período prolongado de inatividade inflamatória pré-operatória.
A Doença de Vogt-Koyanagi-Harada (VKH) é uma uveíte granulomatosa bilateral sistêmica que afeta tecidos contendo melanócitos, como olhos, orelha interna, meninges e pele. A catarata é uma complicação frequente, resultante tanto da inflamação crônica quanto do uso prolongado de corticosteroides necessários para o controle da doença. O manejo cirúrgico da catarata nesses pacientes é desafiador. A regra de ouro na oftalmologia para uveítes não infecciosas é a quiescência inflamatória por pelo menos 3 meses antes de qualquer intervenção intraocular eletiva. Isso minimiza a resposta inflamatória exacerbada ao trauma cirúrgico, garantindo melhores resultados visuais e menor taxa de complicações pós-operatórias.
O trauma cirúrgico da facectomia pode reativar a uveíte de forma severa. O período de 3 meses de 'olho calmo' (ausência de células na câmara anterior) garante que a barreira hemato-aquosa esteja mais estável, reduzindo o risco de complicações como fibrina intensa, sinéquias posteriores, edema macular cistoide e hipotonia ocular no pós-operatório.
Além do controle prévio de 3 meses, é comum realizar um 'stepped-up' de corticoterapia (tópica ou sistêmica) alguns dias antes da cirurgia e manter um esquema rigoroso no pós-operatório. Em casos de VKH, o paciente geralmente já está em uso de imunossupressores ou corticoides que devem ser ajustados para prevenir recidivas.
Operar com inflamação ativa aumenta drasticamente o risco de formação de membranas pupilares, opacificação acelerada da cápsula posterior, deslocamento de retina, glaucoma secundário e até phthisis bulbi devido à inflamação persistente do corpo ciliar.
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