Catarata na Doença de Vogt-Koyanagi-Harada: Quando Operar?

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2016

Enunciado

Paciente com doença de Vogt-Koyanagi-Harada em tratamento com corticoterapia por via oral há algumas semanas, teve a inflamação do segmento anterior controlada há 1 mês. Mas desenvolveu catarata que está prejudicando sua visão e dificultando a avaliação do fundo do olho. Qual a conduta mais adequada neste momento?

Alternativas

  1. A) Realizar a facectomia apenas quando a uveíte estiver controlada por, pelo menos, 3 meses.
  2. B) Realizar a facectomia e, ao final, realizar injeção subtenoniana de triancinolona.
  3. C) Iniciar imunossupressor por 7 dias e realizar a facectomia.
  4. D) Realizar a facectomia e controlar a inflamação pós-operatória com corticoterapia tópica.

Pérola Clínica

Cirurgia de catarata na uveíte → Olho calmo (sem células) por no mínimo 3 meses consecutivos.

Resumo-Chave

O sucesso da facectomia em pacientes com uveítes crônicas, como a síndrome de VKH, depende obrigatoriamente de um período prolongado de inatividade inflamatória pré-operatória.

Contexto Educacional

A Doença de Vogt-Koyanagi-Harada (VKH) é uma uveíte granulomatosa bilateral sistêmica que afeta tecidos contendo melanócitos, como olhos, orelha interna, meninges e pele. A catarata é uma complicação frequente, resultante tanto da inflamação crônica quanto do uso prolongado de corticosteroides necessários para o controle da doença. O manejo cirúrgico da catarata nesses pacientes é desafiador. A regra de ouro na oftalmologia para uveítes não infecciosas é a quiescência inflamatória por pelo menos 3 meses antes de qualquer intervenção intraocular eletiva. Isso minimiza a resposta inflamatória exacerbada ao trauma cirúrgico, garantindo melhores resultados visuais e menor taxa de complicações pós-operatórias.

Perguntas Frequentes

Por que esperar 3 meses de controle inflamatório antes da cirurgia?

O trauma cirúrgico da facectomia pode reativar a uveíte de forma severa. O período de 3 meses de 'olho calmo' (ausência de células na câmara anterior) garante que a barreira hemato-aquosa esteja mais estável, reduzindo o risco de complicações como fibrina intensa, sinéquias posteriores, edema macular cistoide e hipotonia ocular no pós-operatório.

Qual o preparo medicamentoso para a cirurgia de catarata na uveíte?

Além do controle prévio de 3 meses, é comum realizar um 'stepped-up' de corticoterapia (tópica ou sistêmica) alguns dias antes da cirurgia e manter um esquema rigoroso no pós-operatório. Em casos de VKH, o paciente geralmente já está em uso de imunossupressores ou corticoides que devem ser ajustados para prevenir recidivas.

Quais as complicações de operar uma catarata com uveíte ativa?

Operar com inflamação ativa aumenta drasticamente o risco de formação de membranas pupilares, opacificação acelerada da cápsula posterior, deslocamento de retina, glaucoma secundário e até phthisis bulbi devido à inflamação persistente do corpo ciliar.

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