CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2021
Sobre a doença de Vogt-Koyanagi-Harada é correto afirmar:
VKH = Uveíte granulomatosa bilateral + manifestações extraoculares (SNC, auditivas, pele) - sem trauma prévio.
A Doença de Vogt-Koyanagi-Harada é uma condição autoimune multissistêmica contra melanócitos, sendo o principal diferencial da oftalmia simpática, que exige histórico de trauma ou cirurgia.
A Doença de Vogt-Koyanagi-Harada (VKH) é uma panuveíte granulomatosa bilateral mediada por células T contra antígenos de melanócitos. É mais comum em populações com maior pigmentação cutânea (asiáticos, hispânicos e ameríndios). O diagnóstico é clínico, baseado nos Critérios de Sugiura ou nos Critérios Internacionais Revisados, que consideram o envolvimento ocular bilateral, a ausência de trauma prévio e manifestações extraoculares (pleocitose no líquor, disacusia, vitiligo e polioze). O manejo precoce e agressivo é crucial para preservar a função visual.
Clinicamente e histologicamente são muito semelhantes (uveíte granulomatosa difusa). A diferença fundamental é a história clínica: a Oftalmia Simpática ocorre obrigatoriamente após um trauma ocular penetrante ou cirurgia no olho 'excitador', enquanto o VKH é idiopático/autoimune sem trauma.
A doença evolui em quatro fases: 1) Prodrômica (sintomas pseudo-gripais, meningismo); 2) Uveítica aguda (uveíte difusa, descolamentos serosos da retina); 3) Convalescença (despigmentação ocular - 'sunset glow fundus' - e tegumentar como vitiligo/polioze); 4) Crônica recorrente.
O tratamento inicial envolve doses altas de corticoide sistêmico (frequentemente pulsoterapia com metilprednisolona na fase aguda). O desmame deve ser muito gradual, durando de 6 a 12 meses, para prevenir a transição para a fase crônica recorrente, que tem pior prognóstico visual.
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