Úlcera Gástrica e AAS: Manejo em Prevenção Primária

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2023

Enunciado

Homem de 72 anos queixava-se de epigastralgia em queimação há 3 semanas. É portador de HAS e faz uso de enalapril, sinvastatina e AAS para prevenção primária de eventos cardiovasculares. Realizou EDA. Após o resultado, recebeu a prescrição de omeprazol 20mg em jejum por 4 semanas, com resolução completa dos sintomas. Endoscopia Digestiva Alta (EDA): gastrite endoscópica enantematosa moderada do antro; úlcera na transição do corpo para o antro na curvatura menor, de fundo limpo, bordas regulares e planas, de 8mm, sem sinais de sangramento recente. Teste da urease negativo. Bx: gastrite crônica do antro; sem sinais de malignidade. Assinale a alternativa que apresenta a conduta MAIS adequada para esse paciente nesse momento.

Alternativas

  1. A) Substituir o AAS por prasugrel.
  2. B) Repetir a EDA.
  3. C) Manter o uso do omeprazol por tempo indeterminado.
  4. D) Suspender o uso do AAS.

Pérola Clínica

Úlcera gástrica em uso de AAS para prevenção primária → suspender AAS.

Resumo-Chave

Em pacientes com úlcera gástrica ativa ou história de úlcera, o AAS deve ser suspenso, especialmente se usado para prevenção primária, devido ao alto risco de sangramento gastrointestinal. A proteção gástrica com IBP é importante, mas a remoção do fator agressor é prioritária.

Contexto Educacional

A doença ulcerosa péptica é uma condição comum, frequentemente associada ao uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), incluindo o ácido acetilsalicílico (AAS), e à infecção por Helicobacter pylori. O AAS é amplamente utilizado na prevenção de eventos cardiovasculares, mas seu uso prolongado, especialmente em doses elevadas, aumenta significativamente o risco de complicações gastrointestinais, como úlceras e sangramentos. No caso de um paciente idoso com úlcera gástrica e em uso de AAS para prevenção primária, a decisão de suspender o medicamento é crucial. A prevenção primária com AAS tem um benefício cardiovascular modesto e um risco gastrointestinal considerável, que é exacerbado pela presença de uma úlcera. A manutenção do AAS, mesmo com inibidores da bomba de prótons (IBP), não elimina completamente o risco e pode levar a complicações graves. A conduta mais adequada é suspender o AAS, tratar a úlcera com IBP e reavaliar a necessidade de antiagregação plaquetária com base no risco cardiovascular individual do paciente. Em prevenção secundária, a decisão é mais complexa e muitas vezes exige a manutenção do AAS com proteção gástrica rigorosa, mas na prevenção primária, a suspensão é geralmente a melhor opção para evitar sangramentos.

Perguntas Frequentes

Qual a relação entre AAS e úlcera gástrica?

O AAS, um anti-inflamatório não esteroide (AINE), inibe a ciclo-oxigenase-1 (COX-1), reduzindo a produção de prostaglandinas que protegem a mucosa gástrica, aumentando o risco de gastrite, erosões e úlceras, e sangramento.

Quando o AAS deve ser suspenso em pacientes com úlcera gástrica?

O AAS deve ser suspenso em pacientes com úlcera gástrica ativa ou história de úlcera, especialmente se o uso for para prevenção primária de eventos cardiovasculares, onde o risco de sangramento gastrointestinal supera o benefício.

Qual a diferença entre prevenção primária e secundária no uso de AAS?

Prevenção primária é o uso de AAS em pacientes sem história de eventos cardiovasculares para reduzir o risco futuro. Prevenção secundária é o uso em pacientes que já tiveram um evento (infarto, AVC) para prevenir recorrências, onde o benefício geralmente supera o risco.

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