Doença Ulcerosa Péptica: Diagnóstico e Indicação de EDA

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente com 47 anos, masculino, pardo, natural de São Bernardo, metalúrgico. Queixa-se de dor epigástrica de forte intensidade há 1 ano. Refere que há 8 anos iniciou quadro de dor epigástrica de fraca intensidade, sem irradiação, que piorava com alimentos gordurosos e pimenta e melhorava com hidróxido de alumínio. O período doloroso tinha duração de uma semana, seguido de acalmia por aproximadamente seis meses. De um ano para cá a dor piorou de intensidade e os períodos de acalmia diminuíram. Nega perda de peso. Etilista social e tabagista de 1 maço/dia há 25 anos. Exame físico normal. Qual sua hipótese diagnóstica e conduta inicial?

Alternativas

  1. A) Pancreatite crônica e ultrassom 
  2. B) Gastrite e endoscopia 
  3. C) Verminose e protoparasitológico 
  4. D) Doença ulcerosa péptica e endoscopia

Pérola Clínica

Dor epigástrica crônica, aliviada por antiácidos, piora com irritantes + tabagismo → suspeitar DUP, indicar EDA.

Resumo-Chave

O paciente apresenta um quadro clássico de doença ulcerosa péptica (DUP), com dor epigástrica crônica, padrão de melhora com antiácidos e piora com alimentos irritantes, além de fatores de risco como tabagismo. A endoscopia digestiva alta é o exame padrão-ouro para confirmar o diagnóstico, avaliar a extensão da lesão e excluir malignidade, especialmente em pacientes acima de 45-50 anos com sintomas novos ou alarmantes.

Contexto Educacional

A doença ulcerosa péptica (DUP) é uma condição comum caracterizada por lesões na mucosa gástrica ou duodenal, resultantes de um desequilíbrio entre fatores protetores e agressores. Os principais fatores etiológicos são a infecção por Helicobacter pylori e o uso crônico de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs). O tabagismo e o etilismo são fatores de risco adicionais que podem agravar a doença. Clinicamente, a DUP manifesta-se por dor epigástrica, que pode ser em queimação ou tipo cólica, com um padrão de alívio e exacerbação característico. A dor da úlcera duodenal classicamente melhora com a alimentação e piora 2-3 horas após, enquanto a dor da úlcera gástrica pode piorar com a alimentação. Sintomas de alarme como perda de peso, disfagia, vômitos persistentes ou sangramento gastrointestinal exigem investigação imediata. A endoscopia digestiva alta (EDA) é o método diagnóstico de escolha, permitindo a visualização direta das úlceras, biópsias para detecção de H. pylori e exclusão de malignidade, especialmente em úlceras gástricas. O tratamento envolve a erradicação do H. pylori (se presente), suspensão de AINEs, uso de inibidores de bomba de prótons (IBP) para cicatrização da úlcera e modificação de hábitos de vida.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da doença ulcerosa péptica?

Os sintomas clássicos incluem dor epigástrica em queimação, que pode ser aliviada por alimentos ou antiácidos (úlcera duodenal) ou piorar com eles (úlcera gástrica), náuseas, vômitos e saciedade precoce.

Por que a endoscopia digestiva alta é a conduta inicial recomendada para suspeita de DUP?

A endoscopia permite visualizar diretamente a mucosa gastrointestinal, confirmar a presença de úlceras, realizar biópsias para pesquisa de H. pylori e excluir malignidade, especialmente em pacientes com idade > 45-50 anos ou sintomas de alarme.

Quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de doença ulcerosa péptica?

Os principais fatores de risco são infecção por Helicobacter pylori, uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), tabagismo, consumo de álcool e estresse fisiológico grave.

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