Úlcera Péptica: Diagnóstico, Sintomas e Patogênese

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2024

Enunciado

As úlceras pépticas são definidas como erosões da mucosa gástrica ou duodenal que se estendem através da muscular da mucosa, apresentando incidência relativamente alta na população com diferentes tipos de sintomas e de complicações. Em relação a esta doença, assinale a assertiva correta:

Alternativas

  1. A) O quadro clínico e a patogênese das úlceras pépticas não se diferenciam quanto a localização entre duodeno ou estômago.
  2. B) A patogênese das úlceras pépticas está associada principalmente ao uso de medicamentos antiinflamatórios não esteroidais.
  3. C) O sintoma mais comum da doença ulcerosa duodenal é a queimação mesogástrica, geralmente bem localizada, aliviada pela alimentação.
  4. D) O índice de transformação maligna das úlceras gástricas é insignificante, portanto, não é necessária a análise anátomo patológica destas lesões.
  5. E) A infecção pelo H. pylori é o principal fator de risco para a úlcera gástrica, porém não apresenta relação de patogênese significativa com a úlcera duodenal.

Pérola Clínica

Úlcera duodenal: dor em queimação aliviada pela alimentação (ritmo de 3 tempos).

Resumo-Chave

A úlcera duodenal geralmente apresenta dor que melhora com a ingesta alimentar, enquanto a gástrica pode piorar. O H. pylori e AINEs são os principais fatores etiológicos.

Contexto Educacional

A doença ulcerosa péptica (DUP) resulta do desequilíbrio entre fatores agressivos (ácido, pepsina) e defensivos da mucosa. Embora a secreção ácida seja necessária, a maioria dos pacientes com úlcera gástrica tem níveis normais ou baixos de ácido, sugerindo falha na barreira defensiva. O diagnóstico padrão-ouro é a endoscopia digestiva alta (EDA). O tratamento foca na erradicação do H. pylori, suspensão de AINEs e uso de Inibidores de Bomba de Prótons (IBP), reservando a cirurgia para complicações.

Perguntas Frequentes

Qual a principal diferença clínica entre úlcera gástrica e duodenal?

A principal diferença reside na relação da dor com a alimentação. Na úlcera duodenal, a dor costuma surgir 2 a 3 horas após as refeições ou à noite (estômago vazio) e é classicamente aliviada pela ingestão de alimentos ou antiácidos (ritmo de dói-come-passa). Na úlcera gástrica, a dor pode ser precipitada ou agravada pela alimentação, o que muitas vezes leva o paciente a evitar comer e perder peso por medo do desconforto.

Por que biopsiar úlceras gástricas e não necessariamente as duodenais?

Úlceras gástricas têm um risco não desprezível de serem, na verdade, carcinomas gástricos ulcerados. Portanto, o protocolo padrão exige múltiplas biópsias das bordas da úlcera gástrica durante a endoscopia para excluir malignidade. Já as úlceras duodenais são quase universalmente benignas, raramente associadas ao câncer, dispensando a biópsia rotineira para exclusão de neoplasia, focando-se na pesquisa de H. pylori.

Qual o papel do H. pylori e dos AINEs na patogênese?

O H. pylori é a causa mais comum, provocando inflamação crônica e desequilíbrio entre fatores agressivos e protetores da mucosa. Ele está presente na maioria das úlceras duodenais. Os AINEs são a segunda causa principal, agindo via inibição da COX-1, o que reduz a síntese de prostaglandinas, essenciais para a manutenção da barreira de muco e bicarbonato e para o fluxo sanguíneo mucosal.

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