SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2015
Com relação às doenças intercorrentes ou próprias da gestação, julgue o item a seguir. Devido à elevação da secreção ácida produzida no período gestacional, a doença ulceropéptica apresenta uma maior incidência durante a gravidez, devendo, nesse período, ser tratada com omeprazol.
Gravidez → ↓ secreção ácida gástrica e ↑ proteção mucosa; incidência de úlcera péptica ↓. Omeprazol é categoria C.
Contrário ao senso comum, a gravidez geralmente cursa com diminuição da secreção ácida gástrica e aumento da proteção da mucosa, resultando em menor incidência de doença ulceropéptica. O omeprazol, embora possa ser usado em casos selecionados, não é a primeira escolha e a premissa da questão está incorreta.
A doença ulceropéptica (DUP) é uma condição caracterizada por lesões na mucosa gástrica ou duodenal. Contrariamente ao que se poderia pensar devido à queixa comum de azia e refluxo na gestação, a incidência de DUP não aumenta durante a gravidez; na verdade, tende a diminuir. Isso ocorre porque, fisiologicamente, a gestação promove uma redução na secreção ácida gástrica, possivelmente mediada pelos altos níveis de progesterona. Além disso, há um aumento na produção de muco e bicarbonato, que conferem maior proteção à mucosa gastroduodenal. As queixas de azia e refluxo gastroesofágico são muito comuns na gravidez, afetando até 80% das gestantes, mas são geralmente causadas pelo relaxamento do esfíncter esofágico inferior (também pela progesterona) e pela pressão mecânica do útero em crescimento, e não por hiperacidez. O tratamento inicial para essas queixas inclui modificações dietéticas e de estilo de vida, seguidas por antiácidos e, se necessário, antagonistas dos receptores H2 (como ranitidina ou famotidina), que são considerados seguros. O omeprazol, um inibidor da bomba de prótons (IBP), é classificado como categoria C na gravidez, o que significa que estudos em animais mostraram efeitos adversos, mas não há estudos controlados em humanos. Embora seja geralmente evitado como primeira linha, pode ser usado em casos de DUP grave ou refratária, onde o benefício supera o risco potencial, sempre sob orientação médica rigorosa. É crucial que residentes compreendam essa distinção para um manejo adequado das condições gastrointestinais na gestação.
Durante a gravidez, há uma tendência à diminuição da secreção ácida gástrica, possivelmente devido aos altos níveis de progesterona, que também aumentam a produção de muco e bicarbonato, conferindo maior proteção à mucosa gástrica.
A incidência de doença ulceropéptica é, na verdade, menor durante a gravidez, devido aos fatores protetores hormonais e fisiológicos que reduzem a secreção ácida e aumentam a resistência da mucosa gástrica.
O omeprazol é classificado como categoria C na gravidez (risco não pode ser descartado), mas pode ser considerado em casos de doença refratária ou grave, após avaliação risco-benefício, sendo que antiácidos e antagonistas H2 são geralmente as primeiras opções.
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