Mola Hidatiforme: Manejo do Platô de BHCG Pós-AMIU

PSU PRMMT - Processo Seletivo Unificado de Residência Médica do MT — Prova 2024

Enunciado

G3 PN2 A1, 42 anos, com diagnóstico prévio de gestação molar, foi submetida ao procedimento de aspiração manual intra-utero (AMIU) e está realizando seguimento com dosagens semanais de BHCG há 3 meses. Antes do procedimento a dosagem de BHCG era de 175.000 mUI/mL e o diagnóstico histológico do material foi compatível com mola hidatiforme completa. As três últimas dosagens de BHCG, realizadas com intervalo de uma semana entre si, revelaram valores de 355, 361 e 360 mUI/mL respectivamente. Qual conduta deve ser adotada neste momento?

Alternativas

  1. A) Diante dos níveis em ascensão entre a 1ª e 3ª dosagem, iniciar quimioterapia para mola invasora.
  2. B) Repetir a dosagem de BHCG com intervalo de 1 semana para confirmar evolução em platô.
  3. C) Indicar nova AMIU em função do estabelecimento de platô nas dosagens de BHCG.
  4. D) Indicar histerectomia total caso a paciente não tenha desejo de nova gestação.

Pérola Clínica

Platô de BHCG pós-mola (3 dosagens em 2 semanas sem queda >10%) → confirmar com nova dosagem antes de quimioterapia.

Resumo-Chave

O diagnóstico de doença trofoblástica gestacional persistente (DTGP) ou mola invasora é feito com base nos critérios da FIGO, que incluem platô ou elevação do BHCG. Um platô é definido por 3 ou mais valores de BHCG em 2 semanas sem queda significativa. É prudente confirmar o platô com uma nova dosagem antes de iniciar quimioterapia.

Contexto Educacional

A doença trofoblástica gestacional (DTG) abrange um espectro de condições que incluem a mola hidatiforme (completa ou parcial), mola invasora, coriocarcinoma e tumor trofoblástico de sítio placentário. A mola hidatiforme completa é a forma mais comum e é caracterizada por proliferação anormal do trofoblasto e degeneração hidrópica das vilosidades coriônicas. O diagnóstico é histopatológico após esvaziamento uterino, geralmente por AMIU. O seguimento pós-mola é crucial e baseia-se na dosagem semanal de BHCG. A persistência de níveis elevados ou em platô de BHCG após o esvaziamento uterino é indicativa de doença trofoblástica gestacional persistente (DTGP), que pode ser uma mola invasora ou, menos frequentemente, um coriocarcinoma. A fisiopatologia envolve a proliferação contínua de tecido trofoblástico anormal. A conduta diante de um platô de BHCG (definido como 3 ou mais valores de BHCG em 2 semanas sem queda >10%) é a confirmação com uma nova dosagem antes de iniciar a quimioterapia. A quimioterapia é o tratamento de escolha para a DTGP, com esquemas variando de monoterapia (metotrexato ou actinomicina D) a poliquimioterapia, dependendo do escore de risco da FIGO. A histerectomia é uma opção para pacientes sem desejo de gestação futura e com doença confinada ao útero, mas não é a primeira linha para platô de BHCG.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios da FIGO para diagnóstico de doença trofoblástica gestacional persistente?

Os critérios da FIGO incluem platô de BHCG (4 valores em 3 semanas, ou 3 valores em 2 semanas sem queda >10%), elevação do BHCG (aumento de 10% em 3 valores em 2 semanas), ou persistência de BHCG detectável por mais de 6 meses após a evacuação molar.

Quando a quimioterapia é indicada após mola hidatiforme?

A quimioterapia é indicada para o tratamento da doença trofoblástica gestacional persistente, que inclui mola invasora e coriocarcinoma, quando os critérios de platô ou elevação do BHCG são confirmados, ou na presença de metástases.

Qual a importância do seguimento com BHCG após mola hidatiforme?

O seguimento semanal com dosagens de BHCG é fundamental para detectar precocemente a persistência da doença trofoblástica, como a mola invasora ou o coriocarcinoma, permitindo o início rápido do tratamento e melhorando o prognóstico.

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