Fundhacre - Fundação Hospital Estadual do Acre — Prova 2020
Mulher com 20 anos de idade desenvolveu quadro de doença trofoblástica gestacional em sua primeira gestação. Foi submetida a esvaziamento uterino por vácuo-aspiração e iniciou o seguimento pós-molar. Após quatro semanas de acompanhamento, apresentou vários episódios de sangramento vaginal moderado, com três níveis ascendentes das dosagens de gonadotrofina coriônica humana. Procurou a Emergência Obstétrica, onde foi prontamente atendida, após episódio de sangramento vaginal intenso. Na ocasião, ao exame pélvico, não foi evidenciada lesão genital. Radiografia simples do tórax foi normal. Ultrassonografia transvaginal mostrou cavidade endometrial distendida por material amorfo sugestivo de coágulos sanguíneos e miométrio heterogêneo, com vascularização exuberante à dopplerfluxometria. Assinale a alternativa que contém diagnóstico e conduta indicados para este caso.
hCG ascendente + sangramento pós-molar + miométrio heterogêneo/vascularizado = Mola Invasora → Quimioterapia.
Após esvaziamento de mola hidatiforme, a persistência de hCG elevado ou ascendente, associada a sangramento e achados ultrassonográficos de invasão miometrial, sugere doença trofoblástica gestacional persistente, sendo a mola invasora a principal suspeita, que requer quimioterapia.
A doença trofoblástica gestacional (DTG) abrange um espectro de condições que variam desde a mola hidatiforme benigna até o coriocarcinoma maligno. Após o esvaziamento uterino de uma mola, o seguimento com dosagens semanais de gonadotrofina coriônica humana (hCG) é crucial para monitorar a regressão da doença. No caso apresentado, a paciente, após esvaziamento, evoluiu com sangramento vaginal e, mais importante, três níveis ascendentes de hCG. A ultrassonografia transvaginal revelou miométrio heterogêneo com vascularização exuberante, o que é altamente sugestivo de invasão miometrial. Essa combinação de hCG ascendente e evidência de invasão local caracteriza a mola invasora, uma forma de doença trofoblástica gestacional persistente (DTGP). A conduta para mola invasora é a quimioterapia, pois a doença já penetrou o miométrio e um novo esvaziamento uterino seria ineficaz e poderia causar perfuração. A histerectomia é reservada para casos selecionados, como pacientes com prole completa e doença resistente à quimioterapia. O tumor trofoblástico do sítio placentário é uma entidade rara, com características clínicas e histopatológicas distintas, e geralmente tem níveis de hCG mais baixos.
DTGP é diagnosticada por platô de hCG por 3 semanas, aumento de hCG em 2 semanas, hCG detectável por 6 meses após esvaziamento, ou diagnóstico histopatológico de coriocarcinoma.
A mola invasora é uma mola hidatiforme que penetra o miométrio, enquanto o coriocarcinoma é um tumor trofoblástico maligno sem vilosidades coriais, com alta capacidade de metástase. Ambos são tratados com quimioterapia.
A quimioterapia é indicada para DTGP, mola invasora e coriocarcinoma, especialmente em casos de alto risco ou metástases. O esquema quimioterápico varia conforme o estadiamento e o risco.
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