Mola Hidatiforme: Manejo da Doença Trofoblástica Persistente

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 21 anos, G1P0A1, submetida a vácuo-aspiração com diagnóstico histopatológico de mola hidatiforme completa. Recebeu implante de etonogestrel logo após a aspiração. O exame ginecológico não evidencia alterações. A curva de evolução do hCG está apresentada na imagem abaixo.Qual a melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Iniciar metotrexato.
  2. B) Refazer a vácuo aspiração.
  3. C) Indicar histerectomia.
  4. D) Manter a observação clínica.

Pérola Clínica

Mola hidatiforme completa + platô/aumento hCG pós-aspiração → Doença Trofoblástica Gestacional persistente → Quimioterapia (Metotrexato).

Resumo-Chave

Após o diagnóstico de mola hidatiforme, o seguimento do hCG é crucial. Um platô ou elevação dos níveis de hCG por semanas consecutivas, mesmo sem evidência de doença no exame ginecológico, indica doença trofoblástica gestacional persistente, exigindo tratamento quimioterápico, geralmente com metotrexato.

Contexto Educacional

A mola hidatiforme é uma forma de doença trofoblástica gestacional (DTG) que se origina de uma fertilização anormal. A mola completa é caracterizada pela ausência de tecido fetal e proliferação trofoblástica difusa, com cariótipo 46,XX ou 46,XY de origem paterna. Sua importância clínica reside no risco de transformação maligna para DTG persistente ou coriocarcinoma, exigindo seguimento rigoroso. O diagnóstico inicial é feito por ultrassonografia e confirmado por histopatologia após esvaziamento uterino (geralmente vácuo-aspiração). O seguimento pós-esvaziamento é baseado na dosagem semanal de hCG sérico até a normalização e, posteriormente, mensal por um período. A persistência de níveis elevados ou em platô de hCG indica DTG persistente. A conduta para DTG persistente de baixo risco, como no caso da questão, é a quimioterapia com agente único, sendo o metotrexato a primeira escolha. A histerectomia é reservada para casos selecionados, e uma nova aspiração é indicada apenas se houver evidência de tecido molar residual intrauterino. A contracepção é fundamental durante o seguimento para evitar nova gestação que dificultaria a interpretação dos níveis de hCG.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnosticar doença trofoblástica gestacional persistente?

O diagnóstico de DTG persistente é feito quando há um platô de hCG por 3 semanas consecutivas, aumento de hCG em 2 dosagens consecutivas em 2 semanas ou mais, ou persistência de hCG detectável por mais de 6 meses após a evacuação da mola.

Qual o papel do metotrexato no tratamento da DTG persistente?

O metotrexato é o quimioterápico de primeira linha para DTG de baixo risco, sendo eficaz na indução da remissão da doença e na preservação da fertilidade. É administrado em ciclos, com monitoramento rigoroso.

A contracepção hormonal interfere no seguimento da mola hidatiforme?

Não, a contracepção hormonal é segura e recomendada após a evacuação da mola para evitar uma nova gestação durante o período de seguimento do hCG, sem interferir nos níveis do hormônio ou no diagnóstico de DTG persistente.

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