USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
Mulher, 21 anos, G1P0A1, submetida a vácuo-aspiração com diagnóstico histopatológico de mola hidatiforme completa. Recebeu implante de etonogestrel logo após a aspiração. O exame ginecológico não evidencia alterações. A curva de evolução do hCG está apresentada na imagem abaixo.Qual a melhor conduta?
Mola hidatiforme completa + platô/aumento hCG pós-aspiração → Doença Trofoblástica Gestacional persistente → Quimioterapia (Metotrexato).
Após o diagnóstico de mola hidatiforme, o seguimento do hCG é crucial. Um platô ou elevação dos níveis de hCG por semanas consecutivas, mesmo sem evidência de doença no exame ginecológico, indica doença trofoblástica gestacional persistente, exigindo tratamento quimioterápico, geralmente com metotrexato.
A mola hidatiforme é uma forma de doença trofoblástica gestacional (DTG) que se origina de uma fertilização anormal. A mola completa é caracterizada pela ausência de tecido fetal e proliferação trofoblástica difusa, com cariótipo 46,XX ou 46,XY de origem paterna. Sua importância clínica reside no risco de transformação maligna para DTG persistente ou coriocarcinoma, exigindo seguimento rigoroso. O diagnóstico inicial é feito por ultrassonografia e confirmado por histopatologia após esvaziamento uterino (geralmente vácuo-aspiração). O seguimento pós-esvaziamento é baseado na dosagem semanal de hCG sérico até a normalização e, posteriormente, mensal por um período. A persistência de níveis elevados ou em platô de hCG indica DTG persistente. A conduta para DTG persistente de baixo risco, como no caso da questão, é a quimioterapia com agente único, sendo o metotrexato a primeira escolha. A histerectomia é reservada para casos selecionados, e uma nova aspiração é indicada apenas se houver evidência de tecido molar residual intrauterino. A contracepção é fundamental durante o seguimento para evitar nova gestação que dificultaria a interpretação dos níveis de hCG.
O diagnóstico de DTG persistente é feito quando há um platô de hCG por 3 semanas consecutivas, aumento de hCG em 2 dosagens consecutivas em 2 semanas ou mais, ou persistência de hCG detectável por mais de 6 meses após a evacuação da mola.
O metotrexato é o quimioterápico de primeira linha para DTG de baixo risco, sendo eficaz na indução da remissão da doença e na preservação da fertilidade. É administrado em ciclos, com monitoramento rigoroso.
Não, a contracepção hormonal é segura e recomendada após a evacuação da mola para evitar uma nova gestação durante o período de seguimento do hCG, sem interferir nos níveis do hormônio ou no diagnóstico de DTG persistente.
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