Doença Trofoblástica Gestacional: Fatores e Complicações

UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2020

Enunciado

Sobre a Doença Trofoblástica Gestacional podemos afirmar, EXCETO:

Alternativas

  1. A) Todas as formas de apresentação da DTG são caracterizadas pela presença sérica de um marcador tumoral biológico e especíco, o fragmento beta da gonadotrofina coriônica humana (beta-hCG).
  2. B) Os dois principais fatores de risco para DTG são, principalmente, a idade materna superior a 35 anos e a história prévia de DTG.
  3. C) Cistos tecaluteínicos: Presentes em cerca de 20% dos casos representam uma forma de hiperestimulação ovariana resultante de níveis circulantes elevados do beta-hCG sobre a teca dos ovários.
  4. D) Hipotireoidismo: Ocorre em torno de 5% das portadoras de gravidez molar. Porém, costuma apresentar normalização espontânea com a regressão do hCG e cura da doença molar.

Pérola Clínica

DTG: Beta-hCG é marcador universal; hiperTireoidismo (não hipo) é complicação por ↑hCG.

Resumo-Chave

A Doença Trofoblástica Gestacional (DTG) é caracterizada por níveis elevados de beta-hCG, que serve como marcador tumoral. Uma complicação conhecida é o hipertireoidismo, devido à semelhança estrutural do hCG com o TSH, estimulando a tireoide, e não o hipotireoidismo.

Contexto Educacional

A Doença Trofoblástica Gestacional (DTG) abrange um espectro de condições que incluem a mola hidatiforme (completa e parcial), mola invasora, coriocarcinoma e tumor trofoblástico de sítio placentário. Todas as formas são caracterizadas pela proliferação anormal do trofoblasto e pela produção de gonadotrofina coriônica humana (beta-hCG), que serve como um marcador biológico e tumoral essencial para diagnóstico e acompanhamento. Os principais fatores de risco incluem idade materna avançada (>35 anos) ou muito jovem (<20 anos) e história prévia de DTG, que aumenta o risco de recorrência. Cistos tecaluteínicos são uma manifestação comum, presentes em cerca de 20% dos casos de mola hidatiforme. Eles resultam da hiperestimulação ovariana pelos altos níveis circulantes de beta-hCG sobre as células da teca dos ovários, geralmente regredindo espontaneamente após a evacuação da mola e a normalização do hCG. Outra complicação endócrina importante é o hipertireoidismo (tireotoxicose gestacional), que ocorre devido à semelhança estrutural entre o beta-hCG e o TSH, permitindo que o hCG estimule os receptores de TSH na glândula tireoide. É crucial entender que, embora o hipotireoidismo possa ocorrer por outras causas na gravidez, na DTG, a disfunção tireoidiana associada diretamente aos altos níveis de hCG é o hipertireoidismo. Este quadro de tireotoxicose costuma ser transitório e se normaliza espontaneamente com a regressão dos níveis de hCG e a cura da doença molar. O manejo da DTG envolve a evacuação da mola, seguida por um rigoroso acompanhamento dos níveis de beta-hCG para detectar persistência da doença e instituir tratamento quimioterápico, se necessário.

Perguntas Frequentes

Qual o papel do beta-hCG na Doença Trofoblástica Gestacional (DTG)?

O beta-hCG é o principal marcador tumoral para todas as formas de DTG. Seus níveis séricos são utilizados para diagnóstico, monitoramento da resposta ao tratamento e detecção de persistência ou recorrência da doença.

Quais são os principais fatores de risco para desenvolver DTG?

Os dois principais fatores de risco para DTG são a idade materna extrema (inferior a 20 anos ou superior a 35-40 anos) e a história prévia de DTG, que aumenta significativamente o risco de recorrência.

Por que ocorre hipertireoidismo em alguns casos de gravidez molar?

Ocorre hipertireoidismo devido aos níveis extremamente elevados de beta-hCG, que possui uma subunidade alfa estruturalmente semelhante à do TSH. O hCG pode se ligar e estimular os receptores de TSH na tireoide, levando à produção excessiva de hormônios tireoidianos e um quadro de tireotoxicose.

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