Doença Trofoblástica Gestacional: Fisiopatologia e Sinais

Santa Casa de Votuporanga (SP) — Prova 2022

Enunciado

A Doença Trofoblástica Gestacional (DTG) pode ser definida como uma anomalia proliferativa que acomete as células que compõem o tecido trofoblástico placentário, cito e sinciciotrofoblasto, ainda que seus diferentes estágios histológicos difiram na propensão para regressão, invasão, metástase e recorrência. Sobre a DTG, é INCORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) Os dois principais fatores de risco para DTG são, principalmente, a idade materna superior a 35 anos e a história prévia de DTG.
  2. B) O hipotireoidismo ocorre em torno de 5% das portadoras de gravidez molar. Porém, costuma apresentar normalização espontânea com a regressão do hCG e cura da doença molar.
  3. C) O útero aumentado de volume para a idade gestacional está presente em cerca de 20% a 50% dos casos, quer devido à presença do tecido molar, quer pela retenção de coágulos.
  4. D) As náuseas e os vômitos são sintomas comumente referidos. Em gestações molares evoluídas, associadas a úteros volumosos e grande quantidade de material intracavitário, a hiperêmese poderá apresentar-se de maneira incoercível e de difícil inibição.

Pérola Clínica

DTG: hCG elevado pode causar HIPERtireoidismo transitório, não hipotireoidismo. Fatores de risco incluem idade materna >35 anos e história prévia.

Resumo-Chave

A Doença Trofoblástica Gestacional (DTG) é caracterizada por níveis muito elevados de hCG, que possui subunidade alfa semelhante ao TSH. Isso pode levar a um hipertireoidismo transitório, e não hipotireoidismo, que geralmente se resolve com a regressão da DTG.

Contexto Educacional

A Doença Trofoblástica Gestacional (DTG) abrange um espectro de condições que se originam da proliferação anormal do trofoblasto placentário, variando desde a mola hidatiforme (completa ou parcial) até o coriocarcinoma. É uma patologia importante na ginecologia e obstetrícia, com potencial de malignidade e metástase, exigindo diagnóstico e acompanhamento rigorosos. Os fatores de risco para DTG incluem extremos de idade materna (mulheres muito jovens ou com mais de 35-40 anos) e história prévia de mola. Clinicamente, a DTG pode se manifestar com sangramento vaginal irregular, útero aumentado para a idade gestacional (devido ao tecido molar ou coágulos) e hiperêmese gravídica grave, que é mais comum devido aos níveis extremamente elevados de gonadotrofina coriônica humana (hCG). Um ponto crucial para a compreensão da DTG é a relação do hCG com a função tireoidiana. O hCG possui uma subunidade alfa que é estruturalmente semelhante à do TSH. Em concentrações muito elevadas, como as encontradas na mola hidatiforme, o hCG pode se ligar aos receptores de TSH na tireoide e estimulá-los, resultando em um quadro de hipertireoidismo transitório, e não hipotireoidismo. Esse hipertireoidismo geralmente se resolve espontaneamente com a remoção da mola e a queda dos níveis de hCG. A compreensão desses aspectos fisiopatológicos e clínicos é fundamental para o manejo adequado das pacientes e para o sucesso em provas de residência.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para Doença Trofoblástica Gestacional (DTG)?

Os principais fatores de risco para DTG incluem idade materna extrema (muito jovem ou superior a 35-40 anos) e história prévia de DTG.

Como o hCG elevado afeta a função tireoidiana na DTG?

Níveis muito elevados de hCG na DTG podem estimular os receptores de TSH na tireoide devido à semelhança estrutural entre as moléculas, levando a um quadro de hipertireoidismo transitório.

Quais são os sinais clínicos comuns de uma gravidez molar?

Sinais comuns de gravidez molar incluem sangramento vaginal irregular, útero maior que o esperado para a idade gestacional, hiperêmese gravídica grave e, em alguns casos, sintomas de hipertireoidismo.

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