UFCG/HUAC - Hospital Universitário Alcides Carneiro - Campina Grande (PB) — Prova 2020
JSLV, 32 anos, grávida de 6 semanas vem para consulta pré-natal. Ela relata sangramento discreto e eliminação de um corrimento estranho, com umas coisas que parecem “uns cachinhos de uva”. Ao exame, você encontra o fundo uterino na altura da cicatriz umbilical. A principal suspeita diagnóstica é:
Sangramento vaginal + útero maior que idade gestacional + eliminação de vesículas em 'cacho de uva' = Mola hidatiforme (Doença Trofoblástica Gestacional).
A eliminação de vesículas que se assemelham a 'cachinhos de uva' (hidropsia das vilosidades coriônicas) é um sinal patognomônico de mola hidatiforme, uma forma de doença trofoblástica gestacional. Associado a um útero desproporcionalmente grande para a idade gestacional e sangramento, a suspeita diagnóstica é muito forte.
A doença trofoblástica gestacional (DTG) é um espectro de condições que se originam da proliferação anormal do trofoblasto placentário. A forma mais comum é a mola hidatiforme, que pode ser completa ou parcial. A mola hidatiforme completa é caracterizada pela ausência de tecido fetal e proliferação difusa das vilosidades coriônicas, enquanto a parcial apresenta tecido fetal e proliferação focal. A DTG é clinicamente importante devido ao seu potencial de malignização para neoplasia trofoblástica gestacional (NTG), que pode ser invasiva ou metastática. Os sinais clínicos clássicos da mola hidatiforme incluem sangramento vaginal irregular no primeiro ou segundo trimestre, útero desproporcionalmente grande para a idade gestacional, hiperemese gravídica severa e, ocasionalmente, a eliminação de vesículas translúcidas que se assemelham a 'cachinhos de uva'. O diagnóstico é fortemente sugerido por níveis séricos de beta-hCG muito elevados e confirmado pela ultrassonografia, que mostra uma massa uterina heterogênea com múltiplas áreas císticas ('tempestade de neve'). O tratamento inicial da mola hidatiforme é o esvaziamento uterino por aspiração a vácuo. Após o esvaziamento, é essencial um acompanhamento rigoroso com dosagens semanais de beta-hCG até a normalização e, posteriormente, mensais por um período de 6 a 12 meses, para detectar a ocorrência de doença trofoblástica gestacional persistente. A persistência de níveis elevados ou ascendentes de beta-hCG indica a necessidade de quimioterapia. O prognóstico geral é bom com o tratamento adequado, mas o risco de malignização exige vigilância contínua. Para o residente, o reconhecimento precoce e o manejo correto são cruciais para prevenir complicações graves.
Os sinais e sintomas mais comuns da mola hidatiforme incluem sangramento vaginal irregular no primeiro ou segundo trimestre, útero maior do que o esperado para a idade gestacional, náuseas e vômitos excessivos (hiperemese gravídica), e a eliminação de vesículas semelhantes a 'cachinhos de uva' pela vagina. Níveis séricos de beta-hCG são tipicamente muito elevados.
A ultrassonografia é fundamental para o diagnóstico da mola hidatiforme. Ela revela um padrão ecogênico heterogêneo na cavidade uterina, com múltiplas áreas císticas anecoicas (as vesículas), classicamente descrito como 'tempestade de neve' ou 'cacho de uva', e ausência de feto ou embrião em casos de mola completa.
As principais complicações da doença trofoblástica gestacional incluem hemorragia, risco de tireotoxicose devido ao beta-hCG elevado, e o desenvolvimento de doença trofoblástica gestacional persistente ou maligna (neoplasia trofoblástica gestacional), que pode ser invasiva ou metastática. O acompanhamento pós-esvaziamento é crucial para detectar essas complicações.
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