HMDI - Hospital e Maternidade Dona Iris (GO) — Prova 2020
Joana, 33 anos, encontra-se na 13ª semana de sua 3ª gestação. Teve 2 gestações anteriores com parto normal. Procurou atendimento na emergência por episódios repetidos de sangramento transvaginal moderado, vômitos e náuseas. Ao exame apresenta pressão de 170x100 mmHg, BCF inaudível ao sonar, fundo uterino maior que o esperado para a idade gestacional e colo fechado com sangramento transvaginal vivo em pequena quantidade. A melhor hipótese diagnóstica é a
Mola hidatiforme: sangramento 1º tri + útero > IG + BCF inaudível + PA ↑ + hiperêmese.
A doença trofoblástica gestacional, especialmente a mola hidatiforme, deve ser suspeitada em gestantes com sangramento no primeiro trimestre, útero maior que o esperado para a idade gestacional, BCF inaudíveis, e sintomas como hipertensão precoce e hiperêmese gravídica intensa, devido à alta produção de hCG.
A doença trofoblástica gestacional (DTG) é um espectro de doenças que inclui a mola hidatiforme (completa e parcial), a mola invasora, o coriocarcinoma e o tumor trofoblástico de sítio placentário. A mola hidatiforme é a forma mais comum, caracterizada pela proliferação anormal do trofoblasto. Sua incidência varia geograficamente, sendo mais comum na Ásia. É crucial para o residente reconhecer os sinais precoces para um manejo adequado e prevenção de complicações. A fisiopatologia envolve a fertilização anormal do óvulo, resultando em um cariótipo anômalo e proliferação trofoblástica descontrolada. Os sintomas clássicos incluem sangramento vaginal no primeiro trimestre, útero maior que o esperado para a idade gestacional, hiperêmese gravídica grave e, em casos mais avançados, hipertensão arterial precoce e tireotoxicose. O diagnóstico é confirmado pela ultrassonografia, que revela a imagem de "tempestade de neve" ou "cachos de uva", e pela dosagem elevada de beta-hCG. O tratamento inicial da mola hidatiforme é a esvaziamento uterino por aspiração a vácuo. Após o esvaziamento, é fundamental o acompanhamento rigoroso dos níveis séricos de beta-hCG para detectar a persistência da doença trofoblástica ou sua progressão para neoplasia trofoblástica gestacional (NTG). A contracepção é recomendada durante o período de acompanhamento para evitar uma nova gestação que possa mascarar a elevação do hCG.
Sangramento vaginal no primeiro trimestre, útero maior que o esperado para a idade gestacional, ausência de batimentos cardíacos fetais, hipertensão arterial precoce e hiperêmese gravídica intensa são sinais de alerta importantes.
A hipertensão na mola hidatiforme pode ocorrer antes das 20 semanas de gestação devido à produção excessiva de hCG e outros fatores angiogênicos e antiangiogênicos, mimetizando uma pré-eclâmpsia precoce.
A mola hidatiforme frequentemente apresenta útero maior que o esperado e níveis de hCG muito elevados, além da imagem ultrassonográfica característica de "tempestade de neve", enquanto no abortamento retido o útero é menor ou compatível e o hCG pode estar em declínio.
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