Mola Hidatiforme: Diagnóstico Clínico e por Imagem

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2020

Enunciado

Paciente 16 anos, comparece a emergência queixando-se de atraso menstrual há 3 meses, cefaleia, sangramento transvaginal e vômitos incoercíveis. Refere ter realizado teste urinário para gravidez com resultado positivo. Ao exame físico, encontra-se com pressão arterial de 140 x 100 mmHg, fundo uterino palpável entre sínfise púbica e cicatriz umbilical, batimentos cardíacos fetais não identificados ao sonnar e toque vaginal apresentando colo amolecido, pérvio para uma polpa digital com transposição de sangramento abundante. Considerando as causas de sangramento de primeiro trimestre da gestação e o quadro clínico acima descrito, qual a melhor hipótese diagnóstica para este caso e o mais adequado exame complementar a ser realizado?

Alternativas

  1. A) Trata-se de um provável abortamento, sendo indicada a realização de dosagem séricade hCG.
  2. B) Trata-se de uma provável gravidez ectópica, sendo indicada a realização de dosagemsérica de hCG.
  3. C) Trata-se de uma provável placenta prévia, sendo indicada a realização de exameultrassonográfico transvaginal.
  4. D) Trata-se de uma provável doença trofoblástica gestacional, sendo indicada a realização de exame ultrassonográfico transvaginal.

Pérola Clínica

Gestante jovem: atraso menstrual + PA ↑ + útero > IG + BCF ausentes + hiperêmese → Mola hidatiforme.

Resumo-Chave

O quadro clínico de uma gestante jovem com atraso menstrual, teste de gravidez positivo, sangramento, vômitos incoercíveis, hipertensão precoce, útero maior que o esperado e ausência de BCF é altamente sugestivo de doença trofoblástica gestacional (mola hidatiforme). A ultrassonografia transvaginal é o exame complementar de escolha para confirmar o diagnóstico.

Contexto Educacional

A doença trofoblástica gestacional (DTG), em particular a mola hidatiforme, é uma condição que exige alta suspeição clínica, especialmente em pacientes jovens com quadro atípico de gestação. A epidemiologia mostra maior incidência em extremos de idade reprodutiva. O reconhecimento precoce é vital para evitar complicações como a progressão para neoplasia trofoblástica gestacional (NTG), que pode ser maligna. A fisiopatologia da mola hidatiforme envolve a proliferação anormal do trofoblasto. Os sinais e sintomas incluem sangramento vaginal irregular, útero maior que o esperado para a idade gestacional, hiperêmese gravídica grave, hipertensão arterial precoce (antes de 20 semanas) e, por vezes, tireotoxicose. A ausência de batimentos cardíacos fetais e a presença de cistos teca-luteínicos ovarianos também são achados importantes. O diagnóstico é confirmado pela ultrassonografia transvaginal, que mostra a imagem típica de "tempestade de neve" ou "cachos de uva", e por níveis séricos de beta-hCG marcadamente elevados. O tratamento inicial consiste no esvaziamento uterino por aspiração a vácuo. Após o procedimento, é crucial o acompanhamento semanal dos níveis de beta-hCG até a normalização e, posteriormente, mensal por um período de 6 a 12 meses, dependendo do tipo de mola e do risco de persistência. A contracepção eficaz é mandatória durante o período de acompanhamento para evitar uma nova gestação que poderia mascarar a elevação do hCG, indicando uma NTG.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos que sugerem mola hidatiforme?

Os achados incluem sangramento vaginal irregular, útero maior que o esperado para a idade gestacional, hiperêmese gravídica grave, hipertensão arterial precoce (antes de 20 semanas) e ausência de batimentos cardíacos fetais.

Qual o papel da ultrassonografia no diagnóstico da mola hidatiforme?

A ultrassonografia é o exame de imagem mais importante, revelando a imagem característica de "tempestade de neve" ou "cachos de uva" no útero, que corresponde à degeneração hidrópica das vilosidades coriônicas.

Por que a dosagem de hCG é importante na mola hidatiforme?

Níveis séricos de beta-hCG extremamente elevados são um achado comum na mola hidatiforme e são utilizados tanto para o diagnóstico inicial quanto para o acompanhamento pós-esvaziamento uterino, monitorando a regressão da doença.

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