UFS/HU - Hospital Universitário de Sergipe - Aracaju (SE) — Prova 2020
Mulher, 30 anos, apresenta-se para exame préadmissional. Ela nunca fumou e não tem histórico médico significativo, a não ser por um aborto espontâneo há 02 meses. O exame físico está dentro da normalidade. A radiografia de tórax revela múltiplos nódulos pulmonares. Dos exames a seguir o que MAIS contribuiria para elucidação diagnóstica desse caso é:
Nódulos pulmonares + histórico de aborto recente → Investigar doença trofoblástica gestacional com dosagem de beta HCG.
A presença de múltiplos nódulos pulmonares em uma mulher com história recente de aborto espontâneo deve levantar a suspeita de doença trofoblástica gestacional metastática, como o coriocarcinoma. A dosagem de beta HCG é crucial para o diagnóstico e monitoramento dessa condição.
A doença trofoblástica gestacional (DTG) é um grupo de condições que surgem da proliferação anormal do trofoblasto, podendo ser benigna (mola hidatiforme) ou maligna (doença trofoblástica gestacional neoplásica, como o coriocarcinoma). Embora rara, é crucial para residentes devido ao seu potencial de metástase e à necessidade de diagnóstico precoce. O coriocarcinoma é a forma mais agressiva da DTG e pode se desenvolver após qualquer tipo de gestação (mola, aborto, parto a termo ou ectópica). A metástase pulmonar é a mais comum, manifestando-se como nódulos. A suspeita clínica surge em mulheres com história gestacional recente e sintomas como sangramento irregular ou achados radiológicos pulmonares. O diagnóstico é confirmado pela dosagem elevada e persistente de beta HCG. O tratamento do coriocarcinoma é primariamente quimioterápico, com altas taxas de cura se diagnosticado precocemente. O monitoramento do beta HCG é essencial para avaliar a resposta ao tratamento e detectar recidivas. A atenção a sintomas persistentes pós-gestação e a investigação adequada de achados incomuns são vitais para um bom prognóstico.
Sinais de alerta incluem sangramento vaginal persistente ou irregular, aumento uterino anormal e, como no caso, metástases pulmonares manifestadas por nódulos em radiografia de tórax ou outros sítios.
O beta HCG é um marcador tumoral altamente sensível e específico para a doença trofoblástica gestacional, incluindo o coriocarcinoma, sendo fundamental para o diagnóstico, estadiamento e monitoramento da resposta ao tratamento.
Além do beta HCG, a ultrassonografia pélvica para avaliar o útero e a tomografia computadorizada de tórax, abdome e pelve são importantes para estadiamento e busca de metástases.
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