Doença Trofoblástica Gestacional: Diagnóstico e Achados

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2026

Enunciado

Gestante de 12 semanas que apresentou sangramento importante e eliminou o material reproduzido na imagem abaixo: Com relação a esse achado, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Trata-se de um abortamento completo, situação clínica que o exame de ultrassonografia poderá confirmar, se a cavidade uterina estiver vazia.
  2. B) Corresponde à reação de Arias-Stella decorrente de uma prenhez ectópica íntegra, impõe-se o ultrassom transvaginal para localizar o saco ovular na tuba.
  3. C) Sugere ser uma anomalia proliferativa que acomete as células que compõem o tecido trofoblástico placentário, constituintes da vilosidade coriônica, bem como o extravilositário.
  4. D) Certamente a dosagem sérica quantitativa do fragmento beta da gonadotrofina coriônica humana (beta-hCG) já estará negativo, pois o material ovular foi eliminado.

Pérola Clínica

Vesículas em 'cacho de uva' + Sangramento vaginal → Doença Trofoblástica Gestacional (Mola).

Resumo-Chave

A Doença Trofoblástica Gestacional caracteriza-se pela proliferação anormal do trofoblasto, resultando em vilosidades hidrópicas (vesículas) e níveis extremamente altos de Beta-hCG.

Contexto Educacional

A Doença Trofoblástica Gestacional (DTG) engloba um espectro de patologias que surgem de uma fertilização anormal. A mola hidatiforme completa geralmente resulta da fertilização de um óvulo 'vazio' por um espermatozoide que se duplica (46,XX), resultando em material puramente paterno. Clinicamente, manifesta-se por sangramento vaginal indolor, útero maior que o esperado, hiperêmese gravídica e, por vezes, pré-eclâmpsia precoce (antes de 20 semanas). O diagnóstico é sugerido pela clínica e ultrassonografia, sendo confirmado pela histopatologia do material eliminado ou curetado. O manejo inicial é o esvaziamento uterino (preferencialmente por vácuo-aspiração). O acompanhamento pós-molar é crucial, com dosagens semanais de Beta-hCG até a negativação, para monitorar a possível progressão para Neoplasia Trofoblástica Gestacional (mola invasora ou coriocarcinoma).

Perguntas Frequentes

O que são as 'vesículas' eliminadas na mola hidatiforme?

As vesículas representam vilosidades coriônicas que sofreram degeneração hidrópica (edema). Na mola hidatiforme completa, há uma proliferação trofoblástica generalizada e edema de todas as vilosidades, sem tecido fetal, conferindo o aspecto macroscópico clássico de 'cacho de uvas'.

Como o Beta-hCG se comporta na Doença Trofoblástica?

Devido à proliferação excessiva das células trofoblásticas (que produzem o hormônio), os níveis de Beta-hCG costumam estar muito acima do esperado para a idade gestacional, frequentemente ultrapassando 100.000 mUI/mL. Após o esvaziamento uterino, o seguimento rigoroso do Beta-hCG é essencial para detectar precocemente a evolução para formas malignas.

Qual o achado ultrassonográfico típico da mola completa?

O aspecto ultrassonográfico clássico é descrito como 'tempestade de neve' ou 'queijo suíço', caracterizado por uma massa ecogênica heterogênea preenchendo a cavidade uterina, com múltiplos pequenos espaços anecoicos (as vilosidades hidrópicas), sem evidência de saco gestacional ou feto.

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