Doença de Still em Crianças: Sinais e Diagnóstico

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2020

Enunciado

Joana, 3 anos e 9 meses, vem apresentando dores ósseas difusas, principalmente em MMII, iniciadas há 3 meses, que melhoram parcialmente com o uso de analgésicos comuns. A mãe de Joana refere febre baixa intermitente nesse período, cefaleia, anorexia e perda ponderal de 3 quilos. Joana está em tratamento para anemia com sulfato ferroso há 2 meses. Exame físico: irritabilidade, fácies de sofrimento, dificuldade para deambular pela dor, hipocorada +/4+, adenomegalias cervicais, axilares e inguinais móveis, fibroelásticas, não coalescentes, medindo de 0,5 a 1 cm de diâmetro, fígado palpável a 5 cm do RCD, baço a 4 cm do RCE, petéquias em MMII e sopro sistólico +/4+ pancardíaco, sem irradiação. A principal hipótese diagnóstica, dentre as abaixo, é

Alternativas

  1. A) febre reumática.
  2. B) doença de Still.
  3. C) dores de crescimento.
  4. D) artrite reumatoide juvenil.
  5. E) lúpus eritematoso sistêmico.

Pérola Clínica

AIJ sistêmica (Doença de Still) → Febre alta intermitente + artralgia/artrite + rash + hepatoesplenomegalia + adenomegalia.

Resumo-Chave

A Doença de Still, ou Artrite Idiopática Juvenil sistêmica, é caracterizada por febre alta diária ou bidiária, artrite ou artralgia, e manifestações sistêmicas como rash cutâneo evanescente, linfadenopatia, hepatoesplenomegalia e serosite. A presença de dores ósseas difusas, febre, perda ponderal, adenomegalias e hepatoesplenomegalia em uma criança são sugestivas dessa condição.

Contexto Educacional

A Doença de Still, também conhecida como Artrite Idiopática Juvenil (AIJ) sistêmica, é uma forma grave de artrite crônica na infância, caracterizada por manifestações sistêmicas proeminentes. Sua epidemiologia é de cerca de 10-20% dos casos de AIJ, sendo uma causa importante de febre de origem indeterminada em crianças e adolescentes, com potencial de morbidade significativa se não diagnosticada e tratada precocemente. A fisiopatologia envolve uma disfunção do sistema imune inato, com liberação excessiva de citocinas pró-inflamatórias como IL-1, IL-6 e TNF-alfa. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de classificação da ILAR (International League of Associations for Rheumatology), que incluem febre diária por pelo menos 2 semanas, artrite por pelo menos 6 semanas, e a presença de pelo menos duas das seguintes: rash cutâneo evanescente, linfadenopatia generalizada, hepatoesplenomegalia, serosite. A exclusão de outras condições é fundamental. O tratamento visa controlar a inflamação e prevenir danos articulares e sistêmicos. Corticosteroides são a primeira linha, muitas vezes em altas doses. Em casos refratários, são utilizados imunossupressores e, mais recentemente, terapias biológicas direcionadas a citocinas como IL-1 (anakinra, canakinumab) ou IL-6 (tocilizumab), que revolucionaram o prognóstico da doença.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para Doença de Still?

Os critérios incluem febre diária por pelo menos 2 semanas, artrite por 6 semanas, e a presença de pelo menos duas das seguintes: rash cutâneo evanescente, linfadenopatia generalizada, hepatoesplenomegalia ou serosite, após exclusão de outras condições.

Como diferenciar Doença de Still de outras causas de dor óssea em crianças?

A Doença de Still se diferencia pela presença de febre alta intermitente, rash cutâneo, adenomegalia, hepatoesplenomegalia e marcadores inflamatórios elevados, que não são típicos de dores de crescimento ou outras condições benignas.

Qual o tratamento inicial para a Artrite Idiopática Juvenil sistêmica?

O tratamento inicial geralmente envolve corticosteroides em altas doses para controlar a inflamação sistêmica. Em casos refratários, podem ser utilizados imunossupressores e terapias biológicas, como bloqueadores de IL-1 ou IL-6.

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