Doença de Stargardt: Diagnóstico e Silêncio da Coroide

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2008

Enunciado

Paciente com 30 anos de idade, com queixa de baixa visual progressiva. No fundo de olho apresenta múltiplas lesões amareladas. Seu irmão apresenta quadro clínico semelhante. O achado de “silêncio” da coroide na fluoresceinografia tornaria provável o diagnóstico de:

Alternativas

  1. A) Distrofia de Cones
  2. B) Distrofia-padrão
  3. C) Degeneração macular relacionada à idade
  4. D) Doença de Stargardt

Pérola Clínica

Silêncio da coroide na angiofluoresceinografia = Doença de Stargardt.

Resumo-Chave

A Doença de Stargardt é a distrofia macular hereditária mais comum, caracterizada pelo acúmulo de lipofuscina no EPR, causando o bloqueio da fluorescência coroideia.

Contexto Educacional

A Doença de Stargardt manifesta-se tipicamente na primeira ou segunda década de vida com perda visual central progressiva. É o diagnóstico diferencial principal em jovens com queixa visual e alterações maculares pigmentares. O reconhecimento do 'silêncio da coroide' na angiografia é um marco diagnóstico histórico, embora atualmente o diagnóstico seja reforçado pela autofluorescência (que mostra hiperautofluorescência dos flecks) e pelo OCT, que evidencia a atrofia das camadas externas da retina.

Perguntas Frequentes

O que causa o sinal de 'silêncio da coroide'?

O silêncio da coroide (ou 'dark choroid') ocorre devido ao acúmulo anormal de material fluorescente (lipofuscina e subprodutos como A2E) nas células do Epitélio Pigmentado da Retina (EPR). Esse material atua como um filtro, bloqueando a visualização da fluorescência normal proveniente da circulação da coroide durante o exame de angiofluoresceína, fazendo com que a coroide pareça escura enquanto os vasos retinianos se destacam.

Quais os principais achados no fundo de olho de Stargardt?

Os achados clássicos incluem uma atrofia macular central que pode ter aspecto de 'bronze batido' e a presença de manchas amareladas (flecks) em nível do EPR, que podem estar localizadas apenas na mácula ou se estender para a periferia (Stargardt tipo flavimaculatus). A baixa visual costuma ser desproporcional aos achados iniciais do fundo de olho.

Qual o padrão de herança da Doença de Stargardt?

A forma mais comum da Doença de Stargardt tem herança autossômica recessiva, frequentemente associada a mutações no gene ABCA4. Este gene codifica uma proteína de transporte essencial para o ciclo visual; sua disfunção leva ao acúmulo de metabólitos tóxicos no EPR e subsequente morte de fotorreceptores.

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