DREA (Tríade de Samter): Diagnóstico e Manejo Inicial

SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2021

Enunciado

Homem de 35 anos é avaliado por piora da sua tosse no último mês. Evolui com sibilos que necessitam de terapia de resgate em vários dias da semana, assim como piora da sua congestão nasal e rinorréia. Tem antecedente de Asma Persistente moderada e rinite desde seus 20 e poucos anos. Há um mês, o paciente fora submetido a cirurgia para reparo de uma lesão de seu ligamento zado anterior e desde então, apresenta dor residual diariamente. Além disso, apresenta sinusites de repetição. Não apresenta sintoma de Doença do Refluxo Gastroesofágico. Faz uso de Salbutamol SOS, Formoterol / Budesonida 12+400mcg 2x/dia e Ibuprofeno.Ao exame físico, seus sinais vitais estão normais. SpO2 97% em ar ambiente. Apresenta hiperemia conjuntival e pólipos nasais em ambas as narinas. Ausculta pulmonar evidencia sibilos expiratórios. O resto do exame físico é normal. Laboratório evidencia IgE 265U/mL (Valor de referência 0-90U/mL). Leucometria de 4.000/μL com 10% de eosinófilos no diferencial.Qual o tratamento inicial MAIS APROPRIADO?

Alternativas

  1. A) pHmetria de 24 horas.
  2. B) Adicionar Montelucast.
  3. C) Suspender o Ibuprofeno e adicionar Prednisona.
  4. D) Polipectomia nasal.
  5. E) Adicionar Brometo de Tiotróprio.

Pérola Clínica

Asma, pólipos nasais e sensibilidade a AINEs (piora com Ibuprofeno) = Tríade de Samter (DREA). Suspender AINE e iniciar corticoide sistêmico.

Resumo-Chave

O quadro clínico de asma, rinite/sinusite crônica com pólipos nasais, eosinofilia e exacerbação dos sintomas respiratórios após uso de AINE (Ibuprofeno) é altamente sugestivo da Doença Respiratória Exacerbada por Aspirina (DREA), também conhecida como Tríade de Samter. A conduta inicial mais apropriada é suspender o AINE e tratar a exacerbação com corticosteroide sistêmico.

Contexto Educacional

A Doença Respiratória Exacerbada por Aspirina (DREA), também conhecida como Tríade de Samter, é uma condição inflamatória crônica caracterizada pela tríade de asma, rinite/sinusite crônica com pólipos nasais e reações respiratórias (broncoespasmo e/ou congestão nasal) após a ingestão de aspirina ou outros anti-inflamatórios não esteroides (AINEs). É uma condição importante para residentes reconhecerem devido ao risco de exacerbações graves e à necessidade de manejo específico. A prevalência em pacientes com asma varia de 7% a 14%, sendo mais comum em adultos. A fisiopatologia da DREA envolve um distúrbio no metabolismo do ácido araquidônico, com uma via da ciclooxigenase-1 (COX-1) hiperativa e uma via da 5-lipoxigenase (5-LO) também hiperativa, levando a um aumento na produção de leucotrienos pró-inflamatórios e uma diminuição de prostaglandinas protetoras. A inibição da COX-1 pelos AINEs agrava esse desequilíbrio, desencadeando a cascata inflamatória. O diagnóstico é clínico, baseado na história de exacerbação após AINE, associada à asma e pólipos nasais. Exames como IgE total elevada e eosinofilia periférica podem ser encontrados, mas não são diagnósticos. O manejo da DREA exige a suspensão de todos os AINEs. Em casos de exacerbação aguda, corticosteroides sistêmicos são a base do tratamento para controlar a inflamação. A polipectomia nasal pode ser necessária para aliviar a obstrução, mas os pólipos tendem a recorrer. A dessensibilização à aspirina é uma opção terapêutica para pacientes selecionados, visando induzir tolerância e permitir o uso de aspirina para seus benefícios cardiovasculares ou para controle da doença. Outras terapias incluem antagonistas de receptores de leucotrienos e, em casos refratários, biológicos como omalizumabe ou dupilumabe.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da Doença Respiratória Exacerbada por Aspirina (DREA)?

A DREA, ou Tríade de Samter, é caracterizada por asma, rinite/sinusite crônica com pólipos nasais e reações respiratórias (broncoespasmo, congestão nasal) após a ingestão de aspirina ou outros AINEs.

Qual a fisiopatologia da DREA e por que AINEs são contraindicados?

A DREA envolve um distúrbio no metabolismo do ácido araquidônico, com superprodução de leucotrienos pró-inflamatórios e deficiência de prostaglandinas protetoras. AINEs, ao inibir a COX-1, exacerbam esse desequilíbrio, desencadeando a crise.

Qual o tratamento inicial para uma exacerbação de DREA?

O tratamento inicial envolve a suspensão imediata do AINE causador e a administração de corticosteroides sistêmicos para controlar a inflamação e os sintomas respiratórios. A dessensibilização à aspirina pode ser considerada em casos selecionados.

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