DRPAD: Diagnóstico de Doença Renal Policística Dominante

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2024

Enunciado

Uma mulher de 45 anos realiza um exame de ultrassonografia abdominal de rotina, que revela a presença de múltiplos cistos renais bilaterais. Ela não apresenta sintomas significativos, mas tem histórico familiar de doença renal. Os cistos variam em tamanho e alguns apresentam septações finas. Qual alternativa é a mais adequada para o quadro apresentado?

Alternativas

  1. A) Cistos simples renais que geralmente não requerem intervenção adicional.
  2. B) Cisto complexo renal, que deve ser encaminhado para avaliação por um urologista devido ao risco potencial de malignidade.
  3. C) Doença renal policística autossômica dominante (DRPAD), caracterizada pela presença de múltiplos cistos renais bilaterais e histórico familiar positivo.
  4. D) Hidronefrose, geralmente associada a obstrução do trato urinário, mas não compatível com cistos bilaterais.

Pérola Clínica

Múltiplos cistos bilaterais + História familiar + Idade adulta = DRPAD (Autossômica Dominante).

Resumo-Chave

A DRPAD é a doença renal hereditária mais comum, caracterizada pelo desenvolvimento progressivo de múltiplos cistos em ambos os rins, frequentemente associada a manifestações extra-renais e histórico familiar positivo.

Contexto Educacional

A Doença Renal Policística Autossômica Dominante (DRPAD) é causada por mutações nos genes PKD1 (85%) ou PKD2 (15%). A apresentação clínica típica envolve hipertensão arterial precoce, dor lombar crônica e episódios de hematúria macroscópica por ruptura de cistos. É a quarta causa principal de doença renal terminal no mundo. O reconhecimento precoce é vital para o aconselhamento genético e para a implementação de medidas nefroprotetoras que visam adiar a necessidade de terapia renal substitutiva (diálise ou transplante).

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos ultrassonográficos para DRPAD?

O diagnóstico da Doença Renal Policística Autossômica Dominante (DRPAD) baseia-se primordialmente na ultrassonografia em pacientes com história familiar conhecida. Para indivíduos entre 15 e 39 anos, a presença de pelo menos 3 cistos renais (unilaterais ou bilaterais) é altamente sugestiva. Na faixa de 40 a 59 anos, são necessários pelo menos 2 cistos em cada rim. Para pacientes com 60 anos ou mais, o critério sobe para pelo menos 4 cistos em cada rim. Esses critérios (conhecidos como critérios de Ravine modificados) possuem alta sensibilidade e especificidade em pacientes com o gene PKD1, que é a forma mais comum e agressiva da doença.

Quais são as principais manifestações extra-renais da DRPAD?

A DRPAD é uma doença sistêmica que afeta outros órgãos além dos rins. A manifestação extra-renal mais comum são os cistos hepáticos, que ocorrem em até 70-90% dos pacientes ao longo da vida, geralmente sem comprometer a função sintética do fígado. Outra complicação crítica é a presença de aneurismas intracranianos (especialmente no polígono de Willis), ocorrendo em cerca de 5-10% dos pacientes. Outras associações incluem cistos pancreáticos, diverticulose colônica, hérnias da parede abdominal e prolapso de válvula mitral. O rastreio de aneurismas não é universal, sendo indicado principalmente para pacientes com história familiar de hemorragia subaracnoide ou em profissões de alto risco.

Como é feito o manejo clínico para retardar a progressão da DRPAD?

O manejo foca no controle rigoroso da pressão arterial e na redução da taxa de crescimento dos cistos. A meta pressórica recomendada é geralmente < 130/80 mmHg (ou < 110/75 mmHg em pacientes jovens com função preservada), sendo os Inibidores da ECA ou Bloqueadores do Receptor de Angiotensina (BRA) as drogas de primeira escolha devido ao papel do sistema renina-angiotensina na patogênese. O aumento da ingestão hídrica (> 3L/dia) pode ajudar a suprimir a vasopressina, que estimula o crescimento dos cistos. Em casos de progressão rápida, o Tolvaptano (um antagonista do receptor V2 da vasopressina) pode ser indicado para retardar o declínio da função renal, embora exija monitoramento hepático.

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