Manejo da Nefropatia Diabética: Novidades KDIGO 2024 e FLOW

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025

Enunciado

Uma mulher de 62 anos, diabética com índice de massa corporal (IMC) de 32 kg/m³, apresenta insuficiência renal crônica (creatinina sérica de 1.8 mg/dL, TFGe de 40 mL/min) e proteinúria moderada (1,8 g/24h). Ela está em uso de metformina 1000 mg duas vezes ao dia, insulina basal (glargina 20 UI à noite), e empagliflozina 10 mg/dia. Sua hemoglobina glicada é de 8,1%. Segundo as diretrizes KDIGO 2024 e com base nos resultados do estudo FLOW, qual das condutas a seguir é mais indicada para melhorar o manejo da nefropatia diabética e reduzir o risco cardiovascular?

Alternativas

  1. A) Iniciar semaglutida 0,25 mg semanalmente, aumentando gradualmente, mantendo empagliflozina e ajustando a dose de insulina conforme a resposta glicêmica.
  2. B) Adicionar alogliptina, um inibidor de DPP-4, para otimizar o controle glicêmico, pois estudos recentes mostram benefícios renais adicionais.
  3. C) Substituir a empagliflozina por dapagliflozina, um SGLT2, devido ao perfil mais seguro em pacientes com TFGe abaixo de 45 mL/min.
  4. D) Dobrar a dose de metformina para 2000 mg duas vezes ao dia para otimizar o controle glicêmico e ajudar na redução da proteinúria.
  5. E) Suspender a empagliflozina e iniciar inibidor da ECA, como lisinopril, devido ao risco de hipovolemia em pacientes com TFGe abaixo de 45 mL/min.

Pérola Clínica

DM2 + DRC + Proteinúria → Agonista GLP-1 (Semaglutida) reduz progressão renal e morte CV.

Resumo-Chave

O estudo FLOW validou a semaglutida como terapia essencial para proteção renal e cardiovascular em pacientes com DM2 e doença renal crônica proteinúrica.

Contexto Educacional

O paradigma do tratamento da Doença Renal Diabética (DRD) evoluiu do controle glicêmico estrito para a proteção orgânica multifatorial. Atualmente, os pilares do tratamento incluem o bloqueio do sistema renina-angiotensina (iECA ou BRA), inibidores de SGLT2 e, agora, os agonistas do receptor de GLP-1 (GLP-1 RA). Os GLP-1 RA, como a semaglutida, atuam reduzindo a inflamação renal, o estresse oxidativo e a pressão intraglomerular, além de promoverem perda de peso e melhora do perfil metabólico. Em pacientes com alto risco de progressão renal (presença de albuminúria persistente), a combinação dessas classes terapêuticas oferece o maior grau de proteção contra a falência renal e eventos macrovasculares, conforme evidenciado pelos estudos mais recentes da área.

Perguntas Frequentes

O que o estudo FLOW demonstrou sobre a semaglutida?

O estudo FLOW foi o primeiro ensaio clínico de desfechos renais primários com um agonista do receptor de GLP-1 (semaglutida injetável 1,0 mg). Ele demonstrou uma redução significativa de 24% no risco de progressão da doença renal, falência renal e morte por causas renais ou cardiovasculares em pacientes com DM2 e DRC, consolidando o papel desta classe na nefroproteção.

Como o KDIGO 2024 orienta o uso de GLP-1 RA na DRC?

As diretrizes KDIGO 2024 recomendam o uso de agonistas do receptor de GLP-1 em pacientes com DM2 e DRC que não atingem as metas glicêmicas com metformina e inibidores de SGLT2, ou naqueles que não toleram essas drogas. Além disso, enfatiza o benefício cardiovascular e renal independente do controle da hemoglobina glicada.

Pode-se usar metformina com TFGe de 40 mL/min?

Sim, a metformina pode ser mantida em pacientes com Taxa de Filtração Glomerular estimada (TFGe) entre 30 e 45 mL/min, mas a dose deve ser reduzida (geralmente máximo de 1000 mg/dia) e o monitoramento deve ser mais frequente. Ela só deve ser suspensa se a TFGe cair abaixo de 30 mL/min.

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