Doença Renal Diabética: Benefícios dos Inibidores SGLT2

HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2024

Enunciado

Paciente sexo feminino 55 anos portadora de diabetes há 7 anos e hipertensão arterial há 5 anos, além de doença renal crônica, comparece a consulta na unidade de saúde, sem queixas. Atualmente em uso de losartana, metformina e AAS. Ao exame físico apresentava pressão arterial 140/90 mmHg, sem outras alterações. Exames colhidos há uma semana mostram: creatinina 1,2 mg/dl (taxa de filtração glomerular estimada pelo CKD-EPI sem raça 53 ml/min/1,73 m2, ureia 55 mg/dl; glicemia em jejum 120 mg/dl hemoglobina glicada 8,2g%, relação albumina urinráia/creatinina urinária (RAC) 210 mg/g Em relação tratamento da doença renal diabética nesta paciente é correto afirmar.

Alternativas

  1. A) O uso de antagonista do receptor mineraolocorticóide não esteroidal pode ser utilizado para redução de proteinúria.
  2. B) O uso de inibidor SGLt2 tem maior beneficio em pacientes com RAC maior que 200 mg/g ou insuficiência cardíaca.
  3. C) O agonista GLP-1 não possui benefício adicional sobre proteinúria ou progressão da doença renal crônica.
  4. D) A associação de um inbidor da ECA permitiria um melhor controle pressórico e redução de albuminúria

Pérola Clínica

DRC diabética com albuminúria (>200 mg/g) ou IC → Inibidor SGLT2 para nefroproteção e cardioproteção.

Resumo-Chave

Inibidores do SGLT2 são fundamentais no manejo da doença renal diabética, especialmente em pacientes com albuminúria significativa (RAC > 200-300 mg/g) ou insuficiência cardíaca, devido aos seus comprovados benefícios renais e cardiovasculares, incluindo a redução da progressão da DRC e eventos cardiovasculares.

Contexto Educacional

A doença renal diabética (DRD) é uma complicação microvascular grave do diabetes mellitus, sendo a principal causa de doença renal crônica (DRC) em estágio terminal. O manejo da DRD envolve uma abordagem multifacetada que inclui controle glicêmico rigoroso, controle da pressão arterial, e o uso de agentes nefroprotetores. A paciente em questão apresenta diabetes, hipertensão, DRC (TFG 53 mL/min/1,73 m²) e albuminúria significativa (RAC 210 mg/g), além de um controle glicêmico inadequado (HbA1c 8,2%). Recentemente, as diretrizes para o tratamento da DRD foram atualizadas, enfatizando o uso de novas classes de medicamentos com benefícios renais e cardiovasculares comprovados. Os inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 (SGLT2) são uma dessas classes. Eles atuam promovendo glicosúria e natriurese, o que leva à redução da pressão intraglomerular, diminuição da albuminúria e retardo da progressão da DRC, além de conferir proteção cardiovascular. A alternativa B está correta porque os inibidores SGLT2 são fortemente recomendados para pacientes com diabetes tipo 2 e DRC, especialmente aqueles com albuminúria (RAC > 200-300 mg/g) ou insuficiência cardíaca, devido à sua capacidade de reduzir eventos cardiovasculares e a progressão da doença renal. Outras opções, como antagonistas do receptor mineralocorticoide não esteroidais (finerenona), também são benéficas para redução de proteinúria, mas a questão foca no benefício mais abrangente do SGLT2. Agonistas GLP-1 também têm benefícios renais e cardiovasculares, contrariando a alternativa C. A associação de um inibidor da ECA pode ser benéfica, mas a paciente já usa losartana (BRA), e a associação de IECA e BRA não é recomendada devido ao risco de hipercalemia e lesão renal aguda.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para iniciar um inibidor SGLT2 em pacientes com doença renal diabética?

Inibidores SGLT2 são recomendados para pacientes com diabetes tipo 2 e DRC com TFG ≥ 20-30 mL/min/1,73m² e albuminúria (RAC ≥ 30 mg/g), ou com insuficiência cardíaca, devido aos seus benefícios renais e cardiovasculares.

Como os inibidores SGLT2 promovem nefroproteção?

Eles reduzem a hiperfiltração glomerular, diminuem a albuminúria, reduzem a pressão intraglomerular e possuem efeitos anti-inflamatórios e antifibróticos, retardando a progressão da doença renal.

Qual o papel dos agonistas GLP-1 no tratamento da doença renal diabética?

Agonistas GLP-1 também demonstraram benefícios cardiovasculares e renais, incluindo redução da albuminúria e menor progressão da DRC, sendo uma opção importante, especialmente em pacientes com alto risco cardiovascular.

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