Diagnóstico de Doença Renal do Diabetes: O Papel da Albuminúria

SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2025

Enunciado

Paciente masculino, 60 anos, portador de diabetes mellitus tipo 2 há 20 anos, comparece ao ambulatório de clínica médica com resultados de exames solicitados por ocasião de consulta de acompanhamento. Os exames evidenciaram Hemoglobina: 14 g/dl (VR: 13 a 17g/dl), Leucócitos: 8000 cels/mm3 (VR: 4.500 a 11.000/mm3) , Plaquetas: 200.000 células/mm3 (VR: 150.000 a 400.000/ mm3), Ureia: 48 mg/dl (VR:15 a 38 mg/dl), Creatinina: 1,8 mg/dl (VR: 0,5 a 1,2 mg/dL), com taxa de filtração glomerular estimada: 43 ml/min/1,73 m2 (VR > 90 ml/min/1,73 m2), Glicemia em jejum: 180 mg/dl (VR: 60-99 mg/dl), Hemoglobina glicada (HbA1c): 7,8 % (VR < 5,5%), Colesterol total: 200 mg/dl (VR: < 200) , LDL-Colesterol: 120 mg/dl (VR< 100 mg/dl), HDLColesterol: 37mg/dl (VR>50), Triglicerídeos: 200 mg/dl (VR<150), pesquisa de albuminúria (amostra isolada de urina): 50 mg de albumina/g de Creatinina (VR < 30 mg de albumina/g de Creatinina). A respeito do achado de microalbuminúria neste paciente, podemos concluir que:

Alternativas

  1. A) Há um mau controle metabólico, indicando necessidade de insulinoterapia.
  2. B) A microalbuminúria observada nos exames do paciente não caracteriza doença renal do diabetes pois a taxa de filtração glomerular está dentro da faixa normal.
  3. C) O exame de pesquisa de albuminúria precisará ser repetido para documentar a persistência da elevação da albuminúria e concluir por doença renal do diabetes em seu fenótipo clássico albuminúrico.
  4. D) Há um bom controle metabólico e a função renal está estável.

Pérola Clínica

Diagnóstico de DRD exige 2 de 3 amostras positivas de albuminúria em 3-6 meses.

Resumo-Chave

O diagnóstico de Doença Renal do Diabetes (DRD) não se baseia em uma única medida; a persistência da albuminúria é necessária para excluir causas transitórias de elevação.

Contexto Educacional

A Doença Renal do Diabetes (DRD) é a principal causa de terapia de substituição renal no mundo. Sua detecção precoce é vital, pois intervenções como o uso de inibidores do SGLT2, bloqueadores do sistema renina-angiotensina-aldosterona e controle glicêmico rigoroso podem retardar significativamente a progressão da doença. O rastreamento deve começar no momento do diagnóstico no DM2 e após 5 anos no DM1. A relação albumina/creatinina (RAC) em amostra isolada de urina é o método preferencial por sua praticidade e boa correlação com a coleta de 24 horas. O médico deve estar atento para não rotular precocemente o paciente, garantindo que a alteração seja de fato um reflexo da patologia crônica e não um evento agudo intercorrente.

Perguntas Frequentes

Uma única amostra de albuminúria confirma doença renal?

Não. Diversos fatores podem causar elevações transitórias da albuminúria, como exercício físico intenso nas últimas 24 horas, febre, infecções (especialmente urinárias), insuficiência cardíaca descompensada, hiperglicemia acentuada ou hipertensão descontrolada. Por isso, as diretrizes da ADA e KDIGO recomendam que o diagnóstico de Doença Renal do Diabetes (DRD) seja feito apenas se 2 de 3 amostras coletadas em um período de 3 a 6 meses apresentarem níveis elevados (RAC ≥ 30 mg/g).

Qual a diferença entre micro e macroalbuminúria?

Historicamente, o termo 'microalbuminúria' referia-se a níveis de albumina na urina entre 30 e 300 mg/dia (ou RAC 30-300 mg/g) e 'macroalbuminúria' para valores acima de 300 mg/dia. Atualmente, prefere-se a terminologia 'albuminúria moderadamente aumentada' e 'albuminúria gravemente aumentada', respectivamente. Ambos indicam lesão glomerular e risco aumentado de progressão para doença renal terminal e eventos cardiovasculares.

Como o ritmo de filtração glomerular (RFG) influencia o diagnóstico?

A Doença Renal do Diabetes pode se manifestar por albuminúria persistente, redução do RFG (< 60 ml/min/1,73m²) ou ambos. É possível ter DRD com RFG preservado (fenótipo albuminúrico clássico) ou DRD com RFG reduzido sem albuminúria significativa (fenótipo não albuminúrico). No caso clínico apresentado, o paciente já possui RFG reduzido (43 ml/min), mas a confirmação da etiologia diabética via albuminúria ainda requer a prova de persistência.

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