Doença Renal do Diabetes: Tratamento e Manejo Atual

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2020

Enunciado

Em relação à doença renal do diabetes e seu tratamento, é correto afirmar que

Alternativas

  1. A) é um processo multifatorial, que envolve associação entre lesão mecânica, disfunçãocelular e fibrose. A albuminúria não se correlaciona com o risco cardiovascular, sendo unicamente um marcador fisiopatológico.
  2. B) o tratamento envolve redução de risco cardiovascular, controle glicêmico e pressóricoe bloqueio do sistema renina-angiotensina-aldosterona, com o objetivo de reduzir a pressão intraglomerular.
  3. C) não há relação entre a hemoglobina glicada e os desfechos microvasculares. Ametformina não pode ser usada se houver alteração de função renal em qualquer grau e os inibidores do SGLT-2 restabelecem o feedback túbulo--glomerular com consequente redução da pressão intraglomerular.
  4. D) o controle pressórico é fundamental, sendo importante o uso de medicações quebloqueiem o sistema renina- -angiotensina-aldosterona. O mecanismo de ação está na vasodilatação da arteríola aferente e vasoconstrição da arteríola eferente, culminando na redução da pressão intraglomerular.

Pérola Clínica

Tratamento DRD = redução risco CV + controle glicêmico/pressórico + bloqueio SRAA (reduz pressão intraglomerular).

Resumo-Chave

O tratamento da Doença Renal do Diabetes (DRD) é multifacetado, visando não apenas a proteção renal, mas também a redução do risco cardiovascular. O controle rigoroso da glicemia e da pressão arterial, juntamente com o bloqueio do sistema renina-angiotensina-aldosterona, são pilares para reduzir a pressão intraglomerular e retardar a progressão da doença.

Contexto Educacional

A Doença Renal do Diabetes (DRD), ou nefropatia diabética, é uma complicação microvascular grave do diabetes mellitus, sendo a principal causa de doença renal crônica terminal no mundo. É um processo multifatorial que envolve lesão mecânica, disfunção celular e fibrose, e a albuminúria é um marcador importante não só de lesão renal, mas também de risco cardiovascular aumentado. O tratamento da DRD é complexo e visa retardar a progressão da doença renal e reduzir o risco de eventos cardiovasculares. Isso inclui o controle rigoroso da glicemia (com alvo de HbA1c individualizado), o controle pressórico (com alvo < 130/80 mmHg para a maioria dos pacientes) e, fundamentalmente, o bloqueio do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) com inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA). Recentemente, os inibidores do SGLT-2 e os agonistas do receptor de GLP-1 demonstraram benefícios renais e cardiovasculares adicionais. Os inibidores do SGLT-2 atuam restabelecendo o feedback túbulo-glomerular, o que leva à vasoconstrição da arteríola aferente e redução da pressão intraglomerular. A metformina, embora eficaz, deve ter sua dose ajustada ou ser suspensa em casos de disfunção renal avançada.

Perguntas Frequentes

Quais são os pilares do tratamento da doença renal do diabetes?

Os pilares incluem a redução do risco cardiovascular, o controle rigoroso da glicemia e da pressão arterial, e o bloqueio do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) com IECA ou BRA. Novas classes como inibidores de SGLT-2 e agonistas de GLP-1 também são importantes.

Como o bloqueio do sistema renina-angiotensina-aldosterona atua na proteção renal em pacientes diabéticos?

O bloqueio do SRAA, com IECA ou BRA, promove a vasodilatação da arteríola eferente glomerular, reduzindo a pressão intraglomerular e, consequentemente, a proteinúria e a progressão da lesão renal.

A metformina pode ser utilizada em pacientes com doença renal do diabetes?

Sim, a metformina pode ser utilizada em pacientes com doença renal crônica (DRC) com taxa de filtração glomerular (TFG) acima de 30 mL/min/1,73m², com ajuste de dose. É contraindicada se TFG < 30 mL/min/1,73m³ devido ao risco de acidose lática.

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