Doença Renal do Diabetes: Tratamento e Nefroproteção

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2023

Enunciado

Sobre a doença renal do diabetes (DRD) e seu tratamento, assinale a correta.

Alternativas

  1. A) A DRD é um processo multifatorial, que envolve associação entre lesão mecânica, disfunção celular e fibrose. A albuminúria não se correlaciona com o risco cardiovascular, sendo unicamente um marcador fisiopatológico.
  2. B) O tratamento da DRD envolve redução de risco cardiovascular, controle da glicemia e da PA e bloqueio do sistema renina angiotensina-aldosterona (SRAA) com o objetivo de reduzir a pressão intraglomerular.
  3. C) A metformina não pode ser usada se houver alteração de função renal em qualquer grau e os inibidores do SGLT-2 restabelecem o feedback túbulo-glomerular com consequente redução da pressão intraglomerular.
  4. D) O mecanismo de ação das medicações que bloqueiam o SRAA está na vasodilatação da arteríola aferente e vasoconstrição da arteríola eferente, culminando na redução da pressão intraglomerular.

Pérola Clínica

Tratamento DRD = controle glicemia/PA + bloqueio SRAA + redução risco CV + inibidores SGLT2 para ↓ pressão intraglomerular.

Resumo-Chave

O tratamento da doença renal do diabetes é multifacetado, focando no controle rigoroso da glicemia e pressão arterial, bloqueio do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) para reduzir a pressão intraglomerular, e atualmente, o uso de inibidores do SGLT-2, que também contribuem para a nefroproteção.

Contexto Educacional

A doença renal do diabetes (DRD), ou nefropatia diabética, é uma complicação microvascular grave do diabetes mellitus e a principal causa de doença renal terminal em todo o mundo. É um processo multifatorial que envolve lesão mecânica (hiperfiltração glomerular), disfunção celular e fibrose, resultando em albuminúria progressiva e declínio da taxa de filtração glomerular (TFG). A albuminúria não é apenas um marcador fisiopatológico, mas um forte preditor de risco cardiovascular e de progressão da doença renal. O tratamento da DRD é complexo e visa múltiplos alvos para retardar a progressão da doença e reduzir o risco de eventos cardiovasculares. Os pilares incluem o controle rigoroso da glicemia (HbA1c alvo individualizado), o controle da pressão arterial (PA < 130/80 mmHg, se tolerado) e o bloqueio do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) com inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA). O bloqueio do SRAA é crucial para reduzir a pressão intraglomerular e a albuminúria. Recentemente, os inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 (SGLT-2) e os agonistas do receptor de GLP-1 demonstraram benefícios renais e cardiovasculares significativos na DRD, independentemente do controle glicêmico. Os inibidores do SGLT-2, em particular, restauram o feedback túbulo-glomerular, reduzindo a hiperfiltração e a pressão intraglomerular. A metformina, embora exija ajuste de dose em DRC, pode ser usada com segurança em TFG > 30 mL/min/1,73 m².

Perguntas Frequentes

Qual o papel do bloqueio do SRAA no tratamento da DRD?

O bloqueio do SRAA com IECA ou BRA é fundamental na DRD, pois reduz a pressão intraglomerular, diminui a albuminúria e retarda a progressão da doença renal, além de conferir proteção cardiovascular.

Como os inibidores do SGLT-2 atuam na proteção renal em diabéticos?

Os inibidores do SGLT-2 promovem a glicosúria, reduzem a hiperfiltração glomerular ao restaurar o feedback tubuloglomerular, diminuindo a pressão intraglomerular e a albuminúria, além de oferecerem benefícios cardiovasculares e renais independentes do controle glicêmico.

A albuminúria é apenas um marcador fisiopatológico na DRD?

Não, a albuminúria é um marcador prognóstico importante na DRD, correlacionando-se diretamente com o risco de progressão da doença renal e, crucialmente, com o risco cardiovascular, sendo um alvo terapêutico.

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