UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Menina de 10 anos apresenta inapetência, palidez, sonolência, baixo rendimento escolar há 6 meses, diminuição da diurese há 5 dias. AP: infecções urinárias febris dos 4 aos 8 meses de idade; POT: correção de refluxo vesico-ureteral com 1 ano. Exame físico: peso e estatura no percentil 25, PA: 112 x 80 mmHg (PAS entre percentil 90 e 95 e PAD entre percentil 95 e 95+12 mmHg), REG, descorada +2/+4, sem edemas, sopro cardíaco +1/+6. Exames laboratoriais: GV: 2,34 x 10⁶/mm³, Hb: 7,5 g/dL, Ht: 24%, plaquetas: 136000/mm³, Cr: 1,5 mg/dL, Ur: 50 mg/dL, urina: densidade de 1001, pH: 6,5, nitrito e leucoesterase negativos, proteína +2, leucócitos: 10/campo, hemácias: 8/campo. US de rins e vias urinárias: tamanhos diminuídos, não apresenta diferenciação córtico-medular.O diagnóstico e a causa básica são, correta e respectivamente:
Criança com histórico de ITU/RVU + anemia + hipertensão + rins pequenos/sem diferenciação → Doença Renal Crônica.
A história de infecções urinárias febris e correção de refluxo vesicoureteral, associada a sintomas crônicos (anemia, baixo rendimento), hipertensão e achados de imagem (rins diminuídos e perda da diferenciação córtico-medular), são marcadores clássicos de doença renal crônica. A causa básica mais provável são as anomalias congênitas do trato urinário, como o próprio RVU que levou a lesões renais.
A Doença Renal Crônica (DRC) em crianças é uma condição séria caracterizada pela perda progressiva e irreversível da função renal. As anomalias congênitas do trato urinário e rim (CAKUT - Congenital Anomalies of the Kidney and Urinary Tract), que incluem o refluxo vesicoureteral (RVU), são as causas mais comuns de DRC na infância. O histórico de infecções urinárias febris de repetição em um lactente com RVU sugere dano renal progressivo por pielonefrite crônica. O diagnóstico da DRC é baseado em critérios de tempo (dano renal ou taxa de filtração glomerular < 60 mL/min/1,73m² por > 3 meses) e achados clínicos e laboratoriais. No caso, a anemia crônica (Hb 7,5 g/dL), a hipertensão arterial (PA elevada para a idade), a elevação da creatinina e ureia, e os sintomas inespecíficos de cronicidade (inapetência, palidez, sonolência, baixo rendimento escolar por 6 meses) são altamente sugestivos. A ultrassonografia renal, mostrando rins diminuídos e perda da diferenciação córtico-medular, confirma a cronicidade do processo. O manejo da DRC pediátrica visa retardar a progressão da doença, controlar as complicações (anemia, hipertensão, distúrbios ósseos e do crescimento) e preparar para a terapia renal substitutiva (diálise ou transplante) quando necessário. O controle da pressão arterial é crucial para preservar a função renal residual e prevenir complicações cardiovasculares. O acompanhamento multidisciplinar é fundamental para garantir a melhor qualidade de vida para a criança.
Os sinais e sintomas incluem inapetência, palidez (anemia), sonolência, baixo rendimento escolar, retardo de crescimento, hipertensão arterial e, em fases avançadas, diminuição da diurese e edemas.
Infecções urinárias de repetição, especialmente as febris, e o refluxo vesicoureteral (RVU) são fatores de risco importantes para o desenvolvimento de cicatrizes renais e pielonefrite crônica, que podem levar à DRC.
A ultrassonografia pode revelar rins de tamanho diminuído, perda da diferenciação córtico-medular, irregularidades do contorno e cicatrizes, achados que sugerem cronicidade e dano renal irreversível.
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