UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2023
Menina de 7 anos é trazida para consulta ambulatorial com queixa de baixa estatura. A mãe refere que a criança tem desenvolvimento normal, mas que é bem menor que seus colegas de turma da escola. Ao ser questionada sobre doenças prévias, a mãe relata que a menina foi internada mais de cinco vezes por infecção urinária, com presença de febre e que o primeiro episódio aconteceu aos três meses de vida. À época, foi pedida uma ultrassonografia (USG) de vias urinárias, que não conseguiu realizar. Ao exame físico, a criança apresenta PA = 128 x 86mmHg, FC = 98bpm, FR = 34ipm, sem outras alterações, exceto pela baixa estatura, classificada como abaixo do alvo genético e do z escore -3 para a idade. O IMC é adequado para a idade. A mãe trouxe um hemograma que mostra: Hgb = 9g/dL, VCM = 79, RDW = 11. Para a investigação diagnóstica dessa criança, é essencial solicitar
Baixa estatura + ITU de repetição + HAS + anemia em criança → investigar função renal para DRC.
A combinação de baixa estatura, infecções urinárias de repetição, hipertensão e anemia em uma criança é altamente sugestiva de doença renal crônica. A disfunção renal pode levar a todos esses sintomas, sendo a avaliação da função renal o passo diagnóstico mais essencial.
A baixa estatura em crianças é um sinal de alerta que exige investigação minuciosa, especialmente quando associada a outros sintomas. A história de infecções urinárias de repetição, particularmente se iniciadas precocemente na vida, é um forte indicativo de anomalias congênitas do trato urinário ou disfunções que podem levar a danos renais progressivos. A presença de hipertensão arterial em uma criança com essa história é um sinal de alarme para comprometimento renal, pois os rins desempenham um papel crucial na regulação da pressão arterial. Neste caso clínico, a menina apresenta baixa estatura abaixo do alvo genético, histórico de múltiplas infecções urinárias febris desde os três meses de vida, hipertensão arterial e anemia (Hgb = 9g/dL). A anemia na doença renal crônica é tipicamente normocítica e normocrômica, resultante da deficiência de eritropoetina produzida pelos rins. A combinação desses achados é altamente sugestiva de doença renal crônica (DRC). A ausência de uma ultrassonografia prévia, apesar da indicação, reforça a necessidade de uma investigação completa. Diante desse quadro, a avaliação da função renal (através de exames como creatinina sérica, ureia e cálculo da taxa de filtração glomerular) é o passo diagnóstico mais essencial. Confirmada a DRC, o manejo envolve controle da pressão arterial, tratamento da anemia, acompanhamento do crescimento e, se necessário, investigação de anomalias estruturais renais. O prognóstico da DRC pediátrica depende da causa subjacente, do estágio da doença ao diagnóstico e da adesão ao tratamento, podendo evoluir para doença renal terminal e necessidade de terapia renal substitutiva.
Sinais e sintomas que sugerem doença renal crônica em crianças incluem baixa estatura, infecções urinárias de repetição, hipertensão arterial, anemia inexplicada, edema, poliúria/nictúria e alterações no desenvolvimento neuropsicomotor. A história de infecções urinárias febris precoces é um forte indicativo.
A função renal é crucial porque a doença renal crônica pode explicar todos os achados da paciente: baixa estatura (devido a distúrbios metabólicos), infecções urinárias de repetição (indicando anomalias estruturais ou funcionais), hipertensão (devido à disfunção renal) e anemia (pela deficiência de eritropoetina). Avaliar a função renal (creatinina, ureia, taxa de filtração glomerular) é fundamental para confirmar ou excluir essa hipótese.
Infecções urinárias de repetição, especialmente se febris e precoces, podem indicar anomalias congênitas das vias urinárias, como refluxo vesicoureteral ou uropatias obstrutivas. Essas condições, se não tratadas, podem levar a cicatrizes renais e progressão para doença renal crônica, comprometendo a função renal a longo prazo.
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