HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2022
Homem, 70 anos, hipertenso e diabético há 15 anos, com diagnóstico de doença renal crônica há 5 anos, em consulta ambulatorial de rotina, queixa-se de cansaço aos esforços e de piora do edema em membros inferiores. Ao exame físico, peso 72 Kg, altura 150cm, PA 160/100 mmHg e edema de membros inferiores +++/4. Hemoglobina de 10,5 g/dL, creatinina de 3,6 mg/dL, potássio de 5,5 mg/dL, glicemia jejum 234 mg/dL, ferritina de 90 ng/mL, saturação de transferrina de 18%, proteína urinária de amostra de 30 mg/dL e creatinina urinária de amostra de 100 mg/dL. Em relação ao tratamento para este caso, deve-se: I. Estimular redução de peso, controle da pressão arterial e da diabete melito, além de dieta com restrição de potássio. II. Orientar restrição de ingesta de sal (4g de sódio por dia), de proteínas para 1,0 g/Kg/dia, além de ingesta de no mínimo de 2 litros de água por dia. III. Iniciar eritropoietina para correção da anemia. Está/Estão correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)
DRC: controle rigoroso de PA, DM e peso; restrição de potássio para hipercalemia. Anemia: investigar ferro antes de eritropoietina.
O manejo da Doença Renal Crônica (DRC) é multifacetado, focando no controle das comorbidades (hipertensão, diabetes), modificações do estilo de vida (peso, dieta) e correção de distúrbios eletrolíticos. A anemia na DRC exige avaliação do status de ferro antes da introdução de eritropoietina.
O manejo da Doença Renal Crônica (DRC) é complexo e visa retardar a progressão da doença, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida do paciente. O controle rigoroso das comorbidades, como hipertensão arterial e diabetes mellitus, é fundamental, pois são as principais causas e fatores de progressão da DRC. A modificação do estilo de vida, incluindo redução de peso e dieta adequada, é um componente essencial do tratamento. No caso apresentado, o paciente possui hipercalemia (potássio de 5,5 mg/dL), o que justifica a restrição de potássio na dieta. A anemia na DRC é comum, mas a conduta de iniciar eritropoietina (ESA) deve ser precedida pela avaliação dos estoques de ferro, pois a deficiência de ferro é uma causa frequente de resistência à ESA. A saturação de transferrina de 18% sugere deficiência de ferro, indicando que a suplementação de ferro seria a primeira medida ou concomitante à ESA. A restrição proteica de 1,0 g/Kg/dia pode ser excessiva para DRC avançada não dialítica, onde geralmente se recomenda 0,6-0,8 g/Kg/dia. A ingesta de 2 litros de água por dia pode ser inadequada para um paciente com edema e DRC, que pode necessitar de restrição hídrica. Para residentes, é crucial entender que o tratamento da DRC é individualizado e exige uma abordagem multidisciplinar. A avaliação cuidadosa dos exames laboratoriais e a correta interpretação das diretrizes são essenciais para evitar erros comuns e otimizar o cuidado ao paciente renal crônico, prevenindo a progressão para a terapia renal substitutiva e gerenciando as complicações associadas.
Os pilares incluem controle rigoroso da pressão arterial e da glicemia, redução de peso em pacientes com obesidade, cessação do tabagismo, atividade física regular e uma dieta específica com restrição de sódio, potássio e fósforo, e controle da ingestão proteica, conforme o estágio da DRC.
A eritropoietina é geralmente indicada para anemia na DRC quando a hemoglobina está abaixo de 10 g/dL, após a exclusão e correção de deficiência de ferro, deficiência de vitamina B12 ou folato, e outras causas de anemia, como sangramentos.
Para pacientes com DRC não dialítica, a recomendação geral é uma restrição proteica moderada, tipicamente entre 0,6 a 0,8 g/kg/dia, para retardar a progressão da doença e reduzir a carga de resíduos nitrogenados, sempre com acompanhamento nutricional para evitar desnutrição.
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