TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2025
Um paciente com doença renal crônica (DRC) e hipertensão arterial é acompanhado em consulta ambulatorial. O tratamento com um inibidor da enzima conversora de angiotensina (IECA) foi iniciado. Qual das seguintes alternativas apresenta a conduta mais apropriada?
IECA na DRC: Titular até dose máxima tolerada + monitorar Cr e K+ rigorosamente.
O uso de IECA/BRA na DRC visa a nefroproteção via redução da pressão intraglomerular; a monitorização de eletrólitos e função renal é mandatória para evitar injúria aguda.
O tratamento da hipertensão na doença renal crônica (DRC) prioriza o bloqueio do Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona (SRAA) com IECA ou BRA, especialmente em pacientes com albuminúria (>300mg/dia). O objetivo é reduzir a pressão intraglomerular e a fibrose intersticial. A titulação deve ser gradual até a dose máxima tolerada, definida pela ausência de hipotensão sintomática, hipercalemia intratável ou queda excessiva da TFG. Caso a meta pressórica não seja atingida, a adição de Bloqueadores dos Canais de Cálcio (BCC) ou diuréticos é a conduta de segunda linha recomendada pelas diretrizes KDIGO e SBC.
Após o início ou aumento da dose de um IECA ou BRA, é esperado um aumento hemodinâmico na creatinina sérica devido à vasodilatação da arteríola eferente e consequente queda na pressão de perfusão glomerular. Um aumento de até 30% em relação ao valor basal é considerado aceitável e não exige a suspensão da droga, desde que o paciente não apresente hipercalemia grave ou sinais de depleção de volume. Esse efeito reflete a redução da hiperfiltração glomerular, que é o mecanismo central da nefroproteção a longo prazo.
Embora a associação de IECA e BRA promova uma redução mais acentuada da proteinúria, grandes ensaios clínicos (como ONTARGET e VA NEPHRON-D) demonstraram que o bloqueio duplo do sistema renina-angiotensina-aldosterona aumenta significativamente o risco de eventos adversos graves, como hipercalemia, hipotensão sintomática e lesão renal aguda, sem benefício adicional na redução de desfechos cardiovasculares ou progressão para diálise. Portanto, a terapia combinada é contraindicada na prática clínica atual.
O manejo da hipercalemia leve a moderada (K+ entre 5.1 e 5.5 mEq/L) envolve orientações dietéticas de restrição de potássio e, se necessário, a adição de diuréticos de alça ou tiazídicos (dependendo do TFG). Se o potássio persistir acima de 5.5 mEq/L apesar das medidas, a dose do IECA deve ser reduzida ou suspensa. Quelantes de potássio modernos podem ser considerados para manter a terapia com IECA em pacientes com alto risco cardiovascular ou proteinúria persistente.
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