UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025
Menino, 5 anos de idade, com doença renal crônica com clearance de creatinina de 40 ml/min/1,73m² SC há 3 anos, está em acompanhamento nutricional devido à progressão da doença e ao aparecimento de desnutrição. Exame físico: PA sistólica no P90, sem outras alterações. Exames laboratoriais: Hb = 8,5g/dL, Cálcio total = 8,0 mg/dL, Fósforo = 8,9 mg/dL, Bicarbonato = 17 mEq/L e urina com albumina/creatinina = 150. Qual das alternativas a seguir representa a melhor estratégia de tratamento?
DRC + Albuminúria → Bloqueio do sistema RAA (IECA/BRA) é a base da nefroproteção.
O manejo da DRC pediátrica com albuminúria foca no controle da pressão arterial e na redução da proteinúria através do bloqueio do sistema renina-angiotensina-aldosterona.
A Doença Renal Crônica na infância exige uma abordagem multifatorial. A albuminúria é um marcador de lesão glomerular e um preditor independente de progressão. O controle rigoroso da pressão arterial (meta abaixo do P50 para crianças com proteinúria) é essencial. O uso de IECA/BRA deve ser monitorado quanto ao risco de hipercalemia e queda aguda da taxa de filtração glomerular. Além disso, o manejo das complicações como anemia e distúrbio mineral é vital para garantir o crescimento e desenvolvimento adequados, minimizando as sequelas a longo prazo da uremia crônica.
O paciente apresenta DRC estágio 3 (ClCr 40 ml/min), albuminúria significativa e pressão arterial no percentil 90 (pré-hipertensão/hipertensão dependendo da tabela). O uso de Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA) ou Bloqueadores dos Receptores de Angiotensina (BRA) é a terapia de escolha porque, além de controlar a pressão arterial, eles reduzem a pressão intraglomerular e a permeabilidade da membrana basal, diminuindo a albuminúria. A redução da proteinúria é o principal fator modificável para retardar a progressão para a falência renal terminal.
Diferente dos adultos, a restrição proteica rigorosa não é recomendada em crianças devido ao risco de desnutrição e prejuízo ao crescimento. A recomendação atual é manter a ingestão proteica na faixa de 100% a 140% das recomendações diárias (RDA) para a idade. O foco nutricional deve ser na adequação calórica para evitar o catabolismo, controle do sódio para manejo da volemia e pressão arterial, e controle do fósforo para prevenir o distúrbio mineral e ósseo da DRC.
O paciente apresenta anemia (Hb 8,5), hipocalcemia, hiperfosfatemia e acidose metabólica (Bicarb 17). O tratamento deve incluir: 1) Correção da acidose com bicarbonato de sódio (meta > 22 mEq/L); 2) Controle do fósforo com quelantes (como carbonato de cálcio) e dieta; 3) Reposição de vitamina D ativa (calcitriol) se necessário; 4) Manejo da anemia com ferro e agentes estimuladores da eritropoiese após correção de estoques de ferro. No entanto, a nefroproteção com bloqueio do sistema RAA é prioritária para a sobrevida do órgão.
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