UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2021
M. F. S., masculino, 45 anos, deu entrada no prontosocorro com queixa de edema generalizado há 30 dias com piora progressiva há 2 semanas, associada à dispneia aos mínimos esforços. Relata ser portador de diabetes melito e hipertensão arterial sistêmica em acompanhamento no posto de saúde. Ao exame: PA: 180x100 mmHg. FC 78bpm. Fr 25irpm. Aparelho respiratório murmúrio vesicular presente com estertores crepitantes até terço médio bilateralmente. Precórdio com bulhas normofonéticas, normorrítmicas em 2 tempos sem sopros. Abdome sem alts. Edema de MMII bilateral simétrico +3/+4. Exames laboratoriais: Creatinina 5,0; Ureia 160; potássio 5,9; Gasometria arterial com ph 7,22 pCO₂ 20 pO₂ 98 HCO 11; Urina I com pth +3 leuco 05 p/c hemácias O₂ p/c nitrito negativo bactérias numerosas.Analisando esse caso, afirma-se tratar de um paciente
Paciente com DRC, hipervolemia, acidose metabólica grave e hipercalemia necessita de diálise de urgência.
O paciente apresenta sinais de doença renal crônica descompensada (creatinina 5.0, ureia 160) com complicações graves como hipervolemia (edema generalizado, estertores crepitantes, dispneia) e acidose metabólica grave (pH 7.22, HCO3 11), além de hipercalemia (K 5.9). Essas são indicações clássicas de diálise de urgência.
A doença renal crônica (DRC) é uma condição progressiva e irreversível de perda da função renal, frequentemente associada a comorbidades como diabetes mellitus e hipertensão arterial sistêmica, que são as principais causas de nefropatia diabética. O diagnóstico é feito pela redução da taxa de filtração glomerular e/ou presença de marcadores de lesão renal por mais de três meses. O acompanhamento precoce é fundamental para retardar a progressão da doença. A fisiopatologia da DRC envolve a perda gradual de néfrons funcionantes, levando ao acúmulo de toxinas urêmicas, distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-básicos. As manifestações clínicas incluem edema, dispneia, fadiga, náuseas, anorexia e alterações neurológicas. A suspeita deve ser alta em pacientes com diabetes e hipertensão de longa data, especialmente se apresentarem elevação de creatinina e ureia. O tratamento da DRC visa controlar a progressão da doença e manejar as complicações. Em estágios avançados, a terapia renal substitutiva (diálise ou transplante) torna-se necessária. Indicações de diálise de urgência incluem hipervolemia refratária (como edema agudo de pulmão), acidose metabólica grave refratária, hipercalemia grave refratária, uremia sintomática (encefalopatia, pericardite) e certas intoxicações. O caso clínico apresentado demonstra um paciente com DRC descompensada, com hipervolemia e acidose metabólica graves, necessitando de diálise imediata.
As indicações clássicas de diálise de urgência são as vogais: A (acidose metabólica grave refratária), E (eletrólitos, como hipercalemia grave refratária), I (intoxicações exógenas dialisáveis), O (overload, hipervolemia refratária) e U (uremia sintomática, como encefalopatia ou pericardite urêmica).
A nefropatia diabética é uma complicação microvascular do diabetes, caracterizada por lesão glomerular progressiva devido à hiperglicemia crônica, levando a proteinúria, diminuição da taxa de filtração glomerular e, eventualmente, doença renal crônica terminal.
A hipervolemia pode levar a edema agudo de pulmão e insuficiência cardíaca. A acidose metabólica grave pode causar arritmias cardíacas, disfunção miocárdica, catabolismo proteico e osteodistrofia renal, sendo ambas condições com risco de vida.
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