HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2021
Homem de 69 anos de idade, com antecedente de hipertensão e diabetes, em uso de losartana, anlodipino, hidroclorotiazida e metformina, vinha se alimentando mal nas últimas 4 semanas, com relato de anorexia, mal-estar, vômitos, intensificados há 10 dias. Exame físico: PA: 210 x 130 mmHg; FC: 68 bpm; oximetria de pulso normal. Os seguintes exames foram realizados: hemoglobina: 8,2 g/dL e VCM de 86 fL; plaquetas e leucócitos normais; potássio sérico: 7,9 mEq/L; gasometria venosa: bicarbonato: 14 mEq/L e pH: 7,11. Assinale a alternativa que contém a principal hipótese diagnóstica.
Anemia + Hipertensão grave + Hipercalemia + Acidose metabólica + Sintomas urêmicos = DRC avançada.
O quadro clínico do paciente, com anemia normocítica normocrômica, hipertensão arterial grave e refratária, hipercalemia severa e acidose metabólica grave, associado a sintomas urêmicos (anorexia, vômitos, mal-estar), é altamente sugestivo de doença renal crônica avançada, provavelmente em estágio terminal, com suas complicações sistêmicas.
A Doença Renal Crônica (DRC) é uma condição progressiva e irreversível que leva à perda da função renal. Em seus estágios avançados, a acumulação de toxinas urêmicas e a disfunção de múltiplos órgãos resultam em um quadro clínico complexo. O paciente do enunciado apresenta um conjunto de achados clássicos de DRC avançada: anemia normocítica normocrômica (devido à deficiência de eritropoetina), hipertensão arterial de difícil controle, hipercalemia grave e acidose metabólica significativa. Os sintomas de anorexia, mal-estar e vômitos são manifestações da síndrome urêmica, que ocorre quando a taxa de filtração glomerular (TFG) cai para níveis muito baixos. A hipercalemia e a acidose metabólica são complicações sérias da DRC que exigem intervenção imediata, pois podem levar a arritmias cardíacas fatais e disfunção orgânica. O diagnóstico de DRC avançada é feito pela persistência dessas alterações por mais de 3 meses e pela exclusão de causas agudas reversíveis. O manejo envolve o controle das complicações, como a hipercalemia e a acidose, e a preparação para terapia renal substitutiva (diálise ou transplante). É fundamental para o residente reconhecer esse quadro para iniciar o tratamento adequado e evitar desfechos adversos.
A uremia manifesta-se com sintomas gastrointestinais (anorexia, náuseas, vômitos), neurológicos (fadiga, confusão, encefalopatia), prurido, e alterações cardiovasculares e hematológicas.
A DRC causa anemia principalmente pela deficiência na produção de eritropoetina pelos rins doentes. O tipo mais comum é a anemia normocítica normocrômica.
A conduta inicial para hipercalemia grave (K > 6.5 ou com alterações no ECG) inclui estabilização da membrana cardíaca (gluconato de cálcio), redistribuição do potássio (insulina + glicose, beta-agonistas) e remoção do potássio (diuréticos, resinas, diálise).
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