DRC por DM/HAS: Controle e Terapia para Retardar Progressão

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 62 anos, possui hipertensão arterial e diabetes mellitus há cerca de 15 anos e não faz acompanhamento médico regular. Iniciou quadro de edema de membros inferiores e urina espumosa há alguns meses. Por insistência da sua esposa, procurou atendimento médico. Ao exame físico, identificou-se PA 170x105 mmHg e edema de membros inferiores 2+/4+. Solicitado exames laboratoriais, com os seguintes resultados: Creatinina sérica 1,8 mg/dl; Glicemia em jejum 285 mg/dl; Hemoglobina glicada 8,9%; Proteinúria de 24 horas 3,0 g. Assinale a alternativa que cita TODAS as medidas efetivas para reduzir a velocidade da progressão da Doença renal crônica (DRC) no caso acima:

Alternativas

  1. A) Controle adequado do diabetes mellitus (hemoglobina glicada < 7%) e da hipertensão arterial (PA < 130 x 80 mmHg).
  2. B) Controle adequado do diabetes mellitus (hemoglobina glicada < 7%) e da hipertensão arterial (PA < 130 x 80 mmHg), início de inibidor da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou do bloqueador dos receptores de angiotensina (BRA), associado à dapagliflozina.
  3. C) Controle do diabetes mellitus (hemoglobina glicada < 7%) e da hipertensão arterial (PA < 140 x 90 mmHg).
  4. D) Controle adequado do diabetes mellitus (hemoglobina glicada < 7%) e da hipertensão arterial (PA < 130 x 80 mmHg), início de inibidor da enzima conversora de angiotensina (IECA) associado ao bloqueador dos receptores de angiotensina (BRA) e à dapagliflozina.

Pérola Clínica

DRC por DM/HAS + proteinúria → controle rigoroso PA (<130/80) e glicemia (<7%), IECA/BRA + iSGLT2 (dapagliflozina) para nefroproteção.

Resumo-Chave

A progressão da Doença Renal Crônica, especialmente em pacientes com diabetes e hipertensão, é significativamente retardada pelo controle rigoroso da pressão arterial e da glicemia, além do uso de agentes nefroprotetores como IECA/BRA e, mais recentemente, inibidores de SGLT2 como a dapagliflozina, que demonstraram benefícios renais e cardiovasculares.

Contexto Educacional

A Doença Renal Crônica (DRC) é um problema de saúde pública crescente, com a hipertensão arterial e o diabetes mellitus sendo as principais causas. A nefropatia diabética e a nefroesclerose hipertensiva são as manifestações renais dessas condições, levando à perda progressiva da função renal. A proteinúria é um marcador chave de lesão renal e um preditor independente de progressão da DRC. O reconhecimento precoce e a intervenção agressiva são cruciais para retardar a progressão e evitar a necessidade de terapia renal substitutiva. A fisiopatologia da DRC envolve mecanismos complexos de hiperfiltração, inflamação, fibrose e ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA). O diagnóstico é baseado na redução da taxa de filtração glomerular (TFG) e/ou presença de marcadores de lesão renal, como proteinúria, por mais de três meses. No caso apresentado, o paciente tem evidências de DRC avançada (creatinina elevada, proteinúria significativa) e controle inadequado de DM e HAS. O tratamento para retardar a progressão da DRC foca no controle rigoroso dos fatores de risco. Isso inclui o controle intensivo da glicemia (HbA1c < 7%) e da pressão arterial (PA < 130/80 mmHg), com o uso de IECA ou BRA como primeira linha devido aos seus efeitos antiproteinúricos e nefroprotetores. A adição de inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 (SGLT2), como a dapagliflozina, é uma estratégia recente e altamente eficaz, com evidências robustas de redução de eventos renais e cardiovasculares em pacientes com DRC, independentemente da presença de diabetes.

Perguntas Frequentes

Quais são as metas de controle glicêmico e pressórico para pacientes com DRC?

Para pacientes com DRC e diabetes, a meta de hemoglobina glicada é geralmente < 7%. Para hipertensão, a meta de pressão arterial é < 130/80 mmHg, especialmente em pacientes com proteinúria.

Por que IECA/BRA e inibidores SGLT2 são essenciais na DRC?

IECA/BRA reduzem a proteinúria e a pressão intraglomerular, protegendo os rins. Inibidores SGLT2 (como dapagliflozina) demonstraram reduzir a progressão da DRC e eventos cardiovasculares em pacientes com e sem diabetes.

Quais são os principais fatores de risco para a progressão da DRC?

Os principais fatores de risco incluem controle inadequado da hipertensão e diabetes, proteinúria persistente, dislipidemia, tabagismo e obesidade.

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