UFRN/EMCM - Escola Multicampi de Ciências Médicas (RN) — Prova 2020
Uma mulher de 63 anos de idade foi encaminhada ao nefrologista por apresentar uma dosagem sérica de creatinina de 3,4 mg/dl durante realização de exame preventivo de câncer ginecológico. Negava qualquer queixa urinária, bem como história prévia de doença renal. Havia 2 anos que vinha em acompanhamento para hipertensão arterial sistêmica e diabetes melitus, fazendo dieta hipossódica e usando enalapril, sinvastatina e clortalidona. Não tinha resultados prévios de escórias ou quaisquer exames de imagem. O exame físico foi completamente normal. Peso: 54,4 kg. Em se tratando de doença renal crônica, quais complicações devem ser investigadas nesse grupo vulnerável?
DRC: Investigar Anemia, Hiperparatireoidismo Secundário e Hipercalemia.
Pacientes com Doença Renal Crônica (DRC), mesmo assintomáticos, são vulneráveis a diversas complicações sistêmicas. É fundamental investigar anemia, hiperparatireoidismo secundário e hipercalemia, pois são comuns e requerem manejo específico para prevenir morbidade e mortalidade.
A Doença Renal Crônica (DRC) é uma condição progressiva e irreversível que afeta milhões de pessoas globalmente. Caracterizada pela diminuição gradual da função renal, a DRC é frequentemente assintomática em seus estágios iniciais, o que torna o rastreamento e a investigação de complicações cruciais, especialmente em grupos de risco como idosos com hipertensão e diabetes. A prevalência da DRC é alta, e sua identificação precoce é vital para retardar a progressão e manejar as comorbidades. A fisiopatologia da DRC leva a uma série de desequilíbrios sistêmicos. Entre as complicações mais importantes a serem investigadas estão a anemia, que resulta principalmente da deficiência de eritropoetina; o hiperparatireoidismo secundário, decorrente da retenção de fosfato e da deficiência de vitamina D ativa; e a hipercalemia, devido à redução da excreção renal de potássio. Outras complicações incluem distúrbios do metabolismo ósseo e mineral, acidose metabólica e sobrecarga de volume. O tratamento da DRC é multifacetado e visa controlar a progressão da doença e manejar suas complicações. Isso inclui o controle rigoroso da pressão arterial e da glicemia, restrição dietética, uso de quelantes de fosfato, suplementação de vitamina D e, quando necessário, agentes estimuladores da eritropoiese para anemia. O prognóstico da DRC é variável, mas o manejo adequado das complicações pode melhorar significativamente a qualidade de vida e reduzir a mortalidade dos pacientes.
A anemia na DRC pode se manifestar com fadiga, palidez, dispneia aos esforços e tontura, sendo um resultado da deficiência de eritropoetina e outras causas, como deficiência de ferro e inflamação crônica.
O hiperparatireoidismo secundário ocorre na DRC devido à diminuição da excreção de fosfato e à redução da síntese de vitamina D ativa pelos rins, levando à hipocalcemia e estimulação crônica das glândulas paratireoides.
O manejo da hipercalemia na DRC envolve restrição dietética de potássio, uso de diuréticos de alça (se houver função renal residual), resinas de troca iônica e, em casos graves e refratários, diálise para remover o excesso de potássio.
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