Manejo da DRC Descompensada e Hipercalemia

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2026

Enunciado

Você está de plantão em um serviço de atenção terciária, quando atende um paciente do sexo masculino, 73 anos, hipertenso e diabético, há pelo menos 10 anos, em uso irregular da medicação. Paciente é admitido por confusão mental e refere piora da dispneia há dois dias. Relata ganho de peso, edema de membros inferiores e diminuição do volume urinário. Exame físico: PA 168x98 mmHg, FC 92 bpm, FR 24 irpm, SatO₂ 94% em ar ambiente, crepitações em bases pulmonares e turgência jugular. Laboratório: ureia 136 mg/dL, creatinina 3,4 mg/dL (prévia 1,1 mg/dL), K+ 6,1 mEq/L, Na+ 132 mEq/L, gasometria com pH 7,28 e bicarbonato 16 mEq/L. Qual o diagnóstico MAIS provável e conduta inicial indicada?

Alternativas

  1. A) Insuficiência renal aguda pré-renal; hidratação vigorosa.
  2. B) Nefrite intersticial aguda; suspensão de diurético e biópsia renal imediata.
  3. C) DRC descompensada; diurético endovenoso e controle pressórico.
  4. D) Necrose tubular aguda; hemodiálise de urgência imediata.

Pérola Clínica

Congestão + Hipercalemia em DRC → Diurético de alça EV + Controle de PA.

Resumo-Chave

O paciente apresenta DRC agudizada por má adesão, manifestando-se com síndrome edemigênica e distúrbios eletrolíticos. O manejo foca na redução da volemia e controle metabólico.

Contexto Educacional

A Doença Renal Crônica (DRC) descompensada é um desafio frequente em prontos-socorros, especialmente em pacientes diabéticos e hipertensos de longa data. A fisiopatologia envolve a perda da reserva funcional renal, exacerbada por fatores como má adesão medicamentosa, infecções ou insultos isquêmicos. O manejo inicial deve priorizar a estabilização hemodinâmica e a correção de distúrbios hidroeletrolíticos que ameaçam a vida. A utilização de diuréticos de alça por via endovenosa é fundamental para reduzir a sobrecarga volêmica e auxiliar na excreção de potássio, enquanto o controle pressórico rigoroso previne lesões de órgãos-alvo adicionais. É crucial diferenciar a necessidade de medidas clínicas imediatas da indicação de terapia renal substitutiva de urgência.

Perguntas Frequentes

Quando indicar diálise de urgência na DRC?

As indicações clássicas (AEIOU) incluem: Acidose metabólica refratária, Eletrólitos (hipercalemia refratária), Intoxicações, Overload (congestão refratária) e Uremia sintomática (pericardite, encefalopatia). No caso clínico, o paciente apresenta congestão e hipercalemia que podem responder inicialmente a medidas clínicas como diuréticos de alça em altas doses, antes de se considerar o método dialítico imediato.

Qual a diferença entre IRA pré-renal e DRC agudizada?

A IRA pré-renal geralmente apresenta relação ureia/creatinina > 40 e sedimento urinário limpo, revertendo com hidratação. A DRC agudizada ocorre em pacientes com histórico de nefropatia (como DM e HAS de longa data) e apresenta sinais de cronicidade ou perda de função sobreposta, onde a hidratação pode agravar a congestão preexistente.

Como manejar a hipercalemia no pronto-socorro?

O tratamento envolve estabilização da membrana miocárdica com gluconato de cálcio (se houver alterações no ECG), redistribuição do potássio para o intracelular (insulina + glicose, beta-2 agonistas, bicarbonato se acidose) e eliminação do potássio (diuréticos de alça ou resinas de troca).

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