Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2022
Homem, 59 anos, comparece a atendimento ambulatorial após realizar exames de sangue de rotina. É portador de hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus, com tratamento e acompanhamento irregulares. O exame físico é normal. Exames laboratoriais: creatinina = 2,54 mg/dl (VR: 0,8-1,3); ureia = 75 mg/dl (VR: 20-40); cálcio = 9,2 mg/dl (VR: 8,5-10,6); sódio = 135 mEq/L (VR: 134-145); potássio = 5,3 mEq/L (VR: 3,5- 5,5); magnésio = 2,31 mg/dl (1,5-2,4); fósforo = 6,45 mg/dl (VR: 3-4,5); PTH = 96 pg/ml (10-65); vitamina D = 28 Ul (VR: 20-30). O tratamento adequado é prescrever:
Na DRC, hiperfosfatemia e hiperparatireoidismo secundário → quelantes de fósforo (ex: Sevelâmer) são a primeira linha.
O paciente apresenta Doença Renal Crônica com hiperfosfatemia e hiperparatireoidismo secundário, complicações comuns da DRC. O tratamento inicial da hiperfosfatemia é a restrição dietética de fósforo e o uso de quelantes de fósforo, como o Sevelâmer, que se liga ao fósforo no trato gastrointestinal, impedindo sua absorção.
A Doença Renal Crônica (DRC) é uma condição progressiva e irreversível que afeta milhões de pessoas, frequentemente associada a comorbidades como hipertensão e diabetes. Uma das complicações mais prevalentes e desafiadoras da DRC são os Distúrbios Minerais e Ósseos (DMO-DRC), que incluem hiperfosfatemia, hipocalcemia, hiperparatireoidismo secundário e alterações na vitamina D. A fisiopatologia da hiperfosfatemia na DRC inicia-se com a redução da taxa de filtração glomerular, que diminui a excreção renal de fósforo. Isso leva ao aumento dos níveis séricos de fósforo, que por sua vez estimula a secreção de PTH (hormônio paratireoide) e FGF23, e inibe a ativação da vitamina D renal, culminando no hiperparatireoidismo secundário. O diagnóstico é feito pela dosagem sérica de fósforo, cálcio, PTH e vitamina D. O tratamento da hiperfosfatemia na DRC é multifacetado. A primeira linha envolve a restrição dietética de fósforo e o uso de quelantes de fósforo, como o Sevelâmer (um quelante não cálcico), que se liga ao fósforo no intestino e impede sua absorção. Outras opções incluem quelantes à base de cálcio (carbonato de cálcio, acetato de cálcio), mas com cautela devido ao risco de calcificação vascular. O calcitriol é reservado para o tratamento do hiperparatireoidismo secundário após o controle do fósforo, para evitar a piora da hiperfosfatemia.
O controle do fósforo é crucial para prevenir a progressão da doença óssea metabólica (DMO-DRC), calcificações vasculares e reduzir a mortalidade cardiovascular em pacientes com DRC.
Quelantes de fósforo, como o Sevelâmer, ligam-se ao fósforo presente nos alimentos no trato gastrointestinal, formando complexos insolúveis que são excretados nas fezes, reduzindo assim a absorção de fósforo.
O calcitriol é usado para tratar o hiperparatireoidismo secundário na DRC, mas geralmente após o controle da hiperfosfatemia, pois pode aumentar a absorção de cálcio e fósforo.
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