Indicação de Hemodiálise Urgente na Doença Renal Crônica

CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2024

Enunciado

João, masculino, 62 anos, foi trazido pelo irmão, pois estava confuso e sonolento desde a véspera. Paciente é hipertenso e diabético em uso irregular das medicações. Irmão relata que o paciente esteve na emergência algumas vezes nos últimos 2 meses em decorrência de dor lombar e hematúria. Nos exames laboratoriais prévios, João já apresentava creatinina sérica de 1,4 mg/dl com respectivo clearence de creatinina de 56,1 ml/min/1.73 m². Ao exame físico estava em anasarca, ausculta pulmonar com estertores finos bibasais, abdome globoso, flácido, sem sinais de ascite. PA:160x110. Com relação ao caso, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) Deve-se prescrever hidratação para estimular a diurese.
  2. B) Deve-se acionar o serviço de nefrologia para indicar hemodiálise.
  3. C) Trata-se de quadro de doença renal crônica em estágio G3b.
  4. D) Deve-se pedir ECG e iniciar gluconato para tratar a desorientação.

Pérola Clínica

Paciente com DRC e sintomas urêmicos graves (confusão, anasarca, congestão pulmonar) → Indicação de hemodiálise.

Resumo-Chave

O paciente apresenta sinais e sintomas de uremia avançada, como encefalopatia (confusão, sonolência), sobrecarga volêmica (anasarca, estertores bibasais, hipertensão) e histórico de DRC (creatinina 1.4, clearance 56.1). Esses achados, especialmente a encefalopatia urêmica e a sobrecarga volêmica refratária, são indicações clássicas de terapia renal substitutiva de urgência.

Contexto Educacional

A Doença Renal Crônica (DRC) é uma condição progressiva e irreversível que afeta milhões de pessoas, sendo frequentemente associada a comorbidades como hipertensão e diabetes. Sua importância clínica reside na alta morbimortalidade e na necessidade de manejo multidisciplinar, incluindo a terapia renal substitutiva em estágios avançados. A fisiopatologia da DRC envolve a perda gradual de néfrons, levando à diminuição da taxa de filtração glomerular (TFG) e acúmulo de toxinas urêmicas. O diagnóstico é feito pela TFG estimada e/ou marcadores de lesão renal por mais de 3 meses. A suspeita deve surgir em pacientes com fatores de risco e alterações laboratoriais persistentes. O tratamento da DRC visa retardar a progressão da doença, controlar comorbidades e manejar as complicações. Em estágios avançados, quando surgem sintomas de uremia grave ou complicações refratárias, a terapia renal substitutiva (hemodiálise, diálise peritoneal ou transplante renal) torna-se essencial para a manutenção da vida e melhora da qualidade de vida.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas de uremia grave?

Sinais e sintomas de uremia grave incluem encefalopatia (confusão, sonolência, asterixe), náuseas, vômitos, pericardite urêmica, sangramentos e sobrecarga volêmica com edema pulmonar.

Quando a hemodiálise de urgência é indicada em pacientes renais crônicos?

A hemodiálise de urgência é indicada em casos de uremia grave (encefalopatia, pericardite), hipercalemia refratária, acidose metabólica grave refratária, sobrecarga volêmica refratária e intoxicações dialisáveis.

Como diferenciar doença renal crônica de insuficiência renal aguda?

A DRC é caracterizada por alterações na função ou estrutura renal por mais de 3 meses. A IRA é de início súbito e pode ser reversível. O histórico de creatinina elevada por tempo prolongado e a presença de anemia e osteodistrofia renal sugerem DRC.

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