Doença Renal Crônica: Estadiamento e Manejo na AP

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Idosa de 75 anos, negra, com diagnóstico de hipertensão arterial e diabetes de longa duração faz acompanhamento na unidade básica de saúde (UBS), mas sempre teve dificuldade na adesão ao tratamento. Seus exames recentes mostraram hemoglobina glicada de 8,5% e creatinina 1,1mg/dL. A partir dos dados fornecidos, em relação à possibilidade de doença renal crônica, o médico da atenção primária (AP) deve:

Alternativas

  1. A) classificar como estágio 3b da doença renal crônica e encaminhar ao nefrologista para seguimento
  2. B) solicitar exames de imagem porque só assim pode fechar o diagnóstico de doença renal crônica
  3. C) classificar como estágio 3a da doença renal crônica e manter acompanhamento na AP
  4. D) concluir que a paciente não tem doença renal crônica porque a creatinina está normal

Pérola Clínica

Idosa com HAS/DM, creatinina 1.1 mg/dL e TFG estimada entre 45-59 mL/min/1.73m² = DRC estágio 3a, acompanhamento na AP.

Resumo-Chave

A DRC é classificada pela TFG estimada e albuminúria. Uma creatinina 'normal' em idosos pode mascarar uma TFG reduzida, exigindo cálculo da TFG para estadiamento e manejo adequado, especialmente em pacientes com comorbidades.

Contexto Educacional

A Doença Renal Crônica (DRC) é um problema de saúde pública crescente, caracterizada pela perda progressiva e irreversível da função renal. Sua prevalência aumenta com a idade e com a presença de comorbidades como hipertensão arterial e diabetes mellitus, que são as principais causas. O diagnóstico precoce e o manejo adequado na atenção primária são cruciais para retardar a progressão da doença e prevenir complicações. A fisiopatologia da DRC envolve a perda gradual de néfrons funcionantes, levando à diminuição da taxa de filtração glomerular (TFG). O diagnóstico é estabelecido pela presença de anormalidades estruturais ou funcionais dos rins por mais de 3 meses, com ou sem diminuição da TFG, ou TFG < 60 mL/min/1.73m² por mais de 3 meses. A creatinina sérica isolada pode ser enganosa, especialmente em idosos, sendo fundamental o cálculo da TFG por fórmulas como CKD-EPI ou MDRD. O manejo da DRC na atenção primária foca no controle rigoroso da pressão arterial, glicemia, dislipidemia e na modificação do estilo de vida. Pacientes com DRC estágio 3a (TFG 45-59 mL/min/1.73m²) podem ser acompanhados na AP, com monitoramento regular da TFG, albuminúria e eletrólitos. O encaminhamento ao nefrologista é reservado para estágios mais avançados (3b ou superior) ou para casos com progressão rápida, albuminúria grave ou complicações.

Perguntas Frequentes

Como é classificada a Doença Renal Crônica (DRC)?

A DRC é classificada com base na taxa de filtração glomerular (TFG) e na albuminúria. Existem 5 estágios de TFG (G1 a G5) e 3 categorias de albuminúria (A1 a A3).

Qual a importância de calcular a TFG em idosos, mesmo com creatinina 'normal'?

Em idosos, a massa muscular é reduzida, o que pode levar a níveis de creatinina sérica mais baixos, mascarando uma TFG já comprometida. O cálculo da TFG (ex: CKD-EPI) é essencial para um estadiamento preciso.

Quando um paciente com DRC deve ser encaminhado ao nefrologista?

O encaminhamento é indicado para DRC estágio 3b (TFG < 45 mL/min), DRC progressiva, albuminúria grave (A3), difícil controle da pressão arterial, distúrbios eletrolíticos ou metabólicos refratários, ou suspeita de doença renal secundária.

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