USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Homem, 78 anos, portador de doença renal crônica, HAS, dislipidemia, DM tipo 2 e gota. Usa enalapril, anlodipina, rosuvastatina, metformina, empagliflozina e alopurinol. Nega etilismo ou tabagismo. Exame físico: FR: 17 ipm, FC: 70 bpm e PA: 130 x 76 mmHg. Exames laboratoriais: Ur: 55 mg/dL; Hb:13,5 g/dL; Cr:1,6 mg/dL; Sódio:138 mEq/L; Potássio:4,9 mEq/ L; PTH:122 PG/mL (VR: 14,5-87,1); Cálcio total: 8 mg/dL (VR: 8,4-10,5); Fósforo:5,8 mg/dL (VR: 2,5-5,6); Albumina: 4,6 g/dL (VR: 3,5-4,8) e Hemoglobina glicada:7,8 % (VR:4,3-6,1). Qual é o mecanismo patogênico primário mais provável para as alterações laboratoriais encontradas?
DRC → ↓ hidroxilação renal Vit D → ↓ Ca e ↑ P → ↑ PTH (hiperparatireoidismo secundário).
A doença renal crônica (DRC) é a causa primária das alterações laboratoriais. A diminuição da função renal leva à redução da hidroxilação da 25-hidroxivitamina D para sua forma ativa (1,25-di-hidroxivitamina D), resultando em hipocalcemia e hiperfosfatemia. Esses distúrbios, por sua vez, estimulam a secreção de paratormônio (PTH), caracterizando o hiperparatireoidismo secundário da DRC.
A doença renal crônica (DRC) é uma condição progressiva que afeta múltiplos sistemas do corpo, incluindo o metabolismo mineral e ósseo. As alterações laboratoriais apresentadas no caso clínico (PTH elevado, cálcio baixo, fósforo alto) são características do hiperparatireoidismo secundário à DRC, uma das principais complicações da doença. O mecanismo patogênico primário reside na diminuição da capacidade renal de hidroxilar a 25-hidroxivitamina D (calcidiol) em sua forma ativa, a 1,25-di-hidroxivitamina D (calcitriol). O calcitriol é essencial para a absorção intestinal de cálcio e para a regulação do PTH. A deficiência de calcitriol leva à hipocalcemia, que, juntamente com a hiperfosfatemia (devido à redução da excreção renal de fósforo), estimula cronicamente as glândulas paratireoides a produzir e secretar mais PTH, na tentativa de normalizar os níveis de cálcio e fósforo. O manejo do hiperparatireoidismo secundário na DRC envolve a correção da hiperfosfatemia com restrição dietética e quelantes de fósforo, a suplementação de vitamina D (análogos de calcitriol ou vitamina D nativa, dependendo do estágio da DRC e dos níveis de PTH), e, em casos refratários, o uso de calcimiméticos ou paratireoidectomia. O controle dessas alterações é fundamental para prevenir a doença óssea metabólica associada à DRC e melhorar a qualidade de vida do paciente.
Na doença renal crônica, a diminuição da função renal leva à redução da produção de 1,25-di-hidroxivitamina D (forma ativa da vitamina D) e à retenção de fósforo. Ambos os fatores resultam em hipocalcemia, que estimula as glândulas paratireoides a produzir mais PTH, caracterizando o hiperparatireoidismo secundário.
Na DRC avançada, espera-se encontrar níveis elevados de ureia e creatinina, hiperfosfatemia, hipocalcemia (ou cálcio normal-baixo), e níveis elevados de paratormônio (PTH). Anemia também é comum.
A vitamina D ativa é crucial para a absorção intestinal de cálcio e fósforo. Com a diminuição da hidroxilação renal, há menor produção de vitamina D ativa, resultando em menor absorção de cálcio, levando à hipocalcemia e, consequentemente, ao estímulo da secreção de PTH.
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