UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2024
Portadores de doença renal crônica (DRC) cursam com múltiplas complicações, entre as quais, existem aquelas associadas à alteração do metabolismo mineral e ósseo. Em estágios avançados da DRC, é possível encontrar o hiperparatireoidismo secundário à doença renal crônica. Nesta situação, classicamente, quanto ao paratormônio (PTH), cálcio e fósforo, observa-se, respectivamente,
DRC avançada → Hiperparatireoidismo secundário = ↑PTH, ↓Cálcio, ↑Fósforo.
Na doença renal crônica avançada, a redução da filtração glomerular leva à retenção de fósforo e à diminuição da síntese de calcitriol (vitamina D ativa). Ambos os fatores estimulam a secreção de PTH, que tenta normalizar o cálcio, mas resulta em hiperparatireoidismo e hipocalcemia.
A doença renal crônica (DRC) é um problema de saúde pública crescente, e suas complicações no metabolismo mineral e ósseo são de grande importância clínica. O hiperparatireoidismo secundário à DRC é uma das manifestações mais comuns e graves da osteodistrofia renal, afetando a qualidade de vida e aumentando a morbimortalidade dos pacientes. Residentes devem compreender a complexa inter-relação entre PTH, cálcio, fósforo e vitamina D. A fisiopatologia envolve uma cascata de eventos. Com a progressão da DRC, há uma redução na excreção renal de fósforo, levando à hiperfosfatemia. Simultaneamente, a capacidade renal de converter 25-hidroxivitamina D em 1,25-di-hidroxivitamina D (calcitriol) diminui, resultando em deficiência de vitamina D ativa. A hiperfosfatemia e a hipocalcemia (resultante da deficiência de calcitriol) são potentes estímulos para a secreção de paratormônio (PTH) pelas glândulas paratireoides, que se tornam hiperplásicas. Clinicamente, observa-se elevação do PTH, redução do cálcio sérico e elevação do fósforo sérico. O manejo inclui restrição dietética de fósforo, uso de quelantes de fósforo, suplementação de vitamina D ativa e, em casos refratários, calcimiméticos ou paratireoidectomia. O objetivo é controlar os níveis de PTH, cálcio e fósforo para prevenir complicações ósseas e cardiovasculares associadas.
A DRC leva à retenção de fósforo e à diminuição da produção renal de calcitriol. A hiperfosfatemia e a hipocalcemia (devido à deficiência de calcitriol) estimulam a hiperplasia e a secreção de PTH pelas glândulas paratireoides.
O cálcio diminui principalmente devido à deficiência de calcitriol (vitamina D ativa), que é essencial para a absorção intestinal de cálcio e sua mobilização óssea. A hiperfosfatemia também contribui para a formação de complexos cálcio-fosfato.
A retenção de fósforo é um dos primeiros eventos na DRC. O fósforo elevado estimula diretamente a secreção de PTH e inibe a 1-alfa-hidroxilase renal, diminuindo a produção de calcitriol, o que agrava a hipocalcemia e a estimulação do PTH.
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