Estadiamento da Doença Renal Crônica: Critérios KDIGO

IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2026

Enunciado

Homem de 58 anos, hipertenso e diabético, comparece à consulta com a nefrologia, encaminhado por seu cardiologista assistente, em decorrência de alterações observadas em exames laboratoriais recentemente realizados. O exame físico do paciente se encontra dentro da normalidade. O exame laboratorial se encontra na tabela abaixo. É realizado cálculo estimativo da taxa de filtração glomerular através da equação de CKD-EPI, obtendo-se resultado de 43 mL/min/1,73 m². Diante do exposto, o dado que favorece a hipótese de que a azotemia do paciente é devida a doença renal crônica e a correta classificação de seu estágio são: | Exame | Resultado | |---|---| | Hemoglobina | 10,2 g/dL | | VCM | 82 fL | | CHCM | 32 g/dL | | Leucócitos | 4.560 /mm³ (diferencial dentro da normalidade) | | Plaquetas | 232.000 /mm³ | | Creatinina | 1,8 mg/dL | | Ureia | 62 mg/dL | | Potássio | 3,7 mEq/L | | Sódio | 138 mEq/L | | Cálcio | 8,2 mg/dL | | Fósforo | 2,7 mg/dL | | Albumina | 3,4 g/dL | | Globulina | 3,0 g/dL | | Albuminúria | 200 mg/g |

Alternativas

  1. A) Aumento da ureia; G3aA1.
  2. B) Presença de anemia; G3bA2.
  3. C) Presença de comorbidades; G2A1.
  4. D) Presença de hipoalbuminemia; G4A2.

Pérola Clínica

DRC G3bA2 = TFG 30-44 mL/min + Albuminúria 30-300 mg/g; Anemia sugere cronicidade.

Resumo-Chave

O estadiamento da DRC baseia-se na TFG (G1-G5) e na albuminúria (A1-A3). A presença de anemia normo/normo auxilia na distinção entre injúria aguda e crônica.

Contexto Educacional

A Doença Renal Crônica (DRC) é definida por anormalidades na estrutura ou função renal presentes por mais de 3 meses. O estadiamento atual utiliza a grade KDIGO, que cruza a Taxa de Filtração Glomerular (TFG) com a albuminúria. No caso clínico, a TFG de 43 mL/min enquadra o paciente no estágio G3b, e a albuminúria de 200 mg/g no estágio A2. A anemia associada é um marcador clássico de perda de função endócrina renal. O manejo clínico foca no controle rigoroso da pressão arterial e da glicemia, além do uso de fármacos nefroprotetores. A identificação precoce do estágio G3bA2 é crucial, pois marca um ponto de inflexão onde o risco de complicações como hiperpotassemia, distúrbios minerais e ósseos e progressão para diálise aumenta significativamente.

Perguntas Frequentes

Como é feito o estadiamento G3bA2 na DRC?

O estágio G3b refere-se a uma taxa de filtração glomerular (TFG) entre 30 e 44 mL/min/1,73m². O sufixo A2 indica uma albuminúria moderadamente aumentada, definida como uma relação albumina/creatinina urinária (RAC) entre 30 e 300 mg/g. Ambos os parâmetros são fundamentais para definir o risco de progressão da doença renal e eventos cardiovasculares, conforme as diretrizes do KDIGO.

Por que a anemia sugere doença renal crônica?

A anemia na DRC é tipicamente normocítica e normocrômica, decorrente principalmente da redução na produção de eritropoietina pelas células intersticiais peritubulares renais. Embora possa ocorrer em fases agudas graves, sua presença em um paciente com azotemia leve a moderada e fatores de risco (como DM e HAS) corrobora fortemente o diagnóstico de cronicidade por indicar falência funcional prolongada.

Qual a importância da albuminúria no prognóstico renal?

A albuminúria é um marcador independente de risco para progressão da DRC, insuficiência renal terminal e mortalidade cardiovascular. Mesmo com TFG preservada, a presença de albuminúria (A2 ou A3) já classifica o paciente como portador de DRC se persistir por mais de 3 meses, exigindo intervenções terapêuticas como o uso de iECA ou BRA para nefroproteção.

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