Sangramento em DRC: Tempo de Sangramento e Disfunção Plaquetária

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Um paciente de 42 anos, portador de doença renal crônica em estágio 4, vem apresentando sangramentos patológicos com frequência. O exame mais adequado para documentar que essa discrasia é causada pela disfunção renal é:

Alternativas

  1. A) TAP.
  2. B) PTT.
  3. C) Tempo de sangramento.
  4. D) Contagem de plaquetas.

Pérola Clínica

DRC + sangramento patológico → Tempo de Sangramento avalia disfunção plaquetária urêmica.

Resumo-Chave

Pacientes com doença renal crônica frequentemente desenvolvem disfunção plaquetária devido à uremia, o que se manifesta como sangramentos patológicos. O tempo de sangramento é o exame mais adequado para documentar essa alteração na hemostasia primária.

Contexto Educacional

A doença renal crônica (DRC) é uma condição progressiva que afeta múltiplos sistemas orgânicos, incluindo o sistema hemostático. Pacientes com DRC, especialmente em estágios avançados como o estágio 4, frequentemente experimentam sangramentos patológicos devido a uma complexa discrasia sanguínea. A compreensão dos mecanismos subjacentes é vital para o manejo clínico. A principal causa de sangramento em pacientes urêmicos é a disfunção plaquetária, que afeta a hemostasia primária. Toxinas urêmicas, como o ácido guanidinosuccínico, interferem na interação plaqueta-vaso e na agregação plaquetária. Além disso, a anemia, comum na DRC, reduz o cisalhamento das plaquetas, prejudicando sua adesão ao endotélio lesado. O tempo de sangramento é o exame mais sensível e específico para avaliar essa disfunção plaquetária. O manejo do sangramento em pacientes com DRC envolve a correção da causa subjacente, se possível, e medidas para melhorar a função plaquetária. A diálise pode remover algumas toxinas urêmicas. A desmopressina (DDAVP) é frequentemente utilizada para liberar fator de von Willebrand e melhorar a adesão plaquetária. Estrogênios conjugados e transfusões de hemácias também podem ser empregados. A transfusão de plaquetas é reservada para sangramentos graves e refratários, pois as plaquetas transfundidas também podem ser rapidamente disfuncionais no ambiente urêmico.

Perguntas Frequentes

Quais são os mecanismos da disfunção plaquetária na doença renal crônica?

A disfunção plaquetária na DRC é multifatorial, incluindo a retenção de toxinas urêmicas que interferem na adesão e agregação plaquetária, deficiência de fator de von Willebrand de alto peso molecular, anemia (que afeta o cisalhamento plaquetário) e disfunção endotelial.

Qual a importância do tempo de sangramento na avaliação de pacientes com DRC?

O tempo de sangramento avalia a hemostasia primária, que é a formação do tampão plaquetário. Em pacientes com DRC e sangramento, um tempo de sangramento prolongado sugere disfunção plaquetária urêmica, orientando o tratamento.

Quais são as opções de tratamento para o sangramento em pacientes com DRC?

O tratamento inclui diálise (para remover toxinas urêmicas), desmopressina (DDAVP) para liberar fator de von Willebrand, estrogênios conjugados, transfusão de concentrado de hemácias (para corrigir anemia e melhorar a função plaquetária) e, em casos graves, transfusão de plaquetas.

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