HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2025
Atencão: Considere o caso clinico abaixo para responder a questão.Mulher, 63 anos de idade, comparece ao ambulatório para consulta de rotina. No momento, está assintomática e relata estar urinando normalmente. Não teve nenhuma intercorrência no período. Tem história de hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus tipo 2, e doença renal crônica estágio IIIb, estando em uso de enalapril 20 mg duas vezes por dia, aniodipino 10 mg/dia, hidroclorotiazida 25 mg/dia e espironolactona 25 mg/dia. Ao exame, apresenta FC: 66 bpm e PA: 138 x 86 mmHg. Tem crepitos discretos em bases de ambos os hemotóraces e discreto edema perimaleolar. Sem sinais de edema ou outras alterações ao exame dos demais aparelhos e sistemas. Os exames laboratoriais realizados há dois dias seguem abaixo.Foi solicitado um eletrocardiograma que pode ser visto na imagem a seguir:Além de orientar restrição de fósforo, potássio e sódio na dieta, outra conduta a ser adotada para o manejo crônico das comorbidades apresentadas pelo paciente é iniciar
DM2 + DRC IIIb → SGLT2i (Dapagliflozina) para nefroproteção e controle glicêmico.
O uso de inibidores da SGLT2, como a dapagliflozina, é fundamental na DRC estágio IIIb associada ao DM2 para reduzir a progressão da doença renal e eventos cardiovasculares.
O manejo da Doença Renal Crônica (DRC) em pacientes diabéticos e hipertensos exige uma abordagem multifatorial. A nefroproteção é alcançada primariamente através do bloqueio do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) e, mais recentemente, com a introdução dos inibidores da SGLT2. Estes últimos demonstraram benefícios consistentes na redução da albuminúria e na preservação da taxa de filtração glomerular a longo prazo, independentemente do controle glicêmico. Além disso, o controle rigoroso da pressão arterial é essencial, muitas vezes exigindo múltiplas classes de anti-hipertensivos. No caso de hipertensão de difícil controle (hipertensão resistente), fármacos de ação central como a clonidina podem ser associados ao esquema terapêutico. A gestão de eletrólitos e o ajuste dietético de fósforo, potássio e sódio complementam o tratamento para prevenir complicações urêmicas e cardiovasculares.
A dapagliflozina, um inibidor do cotransportador sódio-glicose 2 (SGLT2), atua reduzindo a pressão intraglomerular através do feedback tubuloglomerular. Em pacientes com DRC e albuminúria, ela demonstrou reduzir significativamente o risco de progressão para doença renal terminal e morte cardiovascular, sendo recomendada mesmo em pacientes sem diabetes, dependendo da taxa de filtração glomerular e níveis de albuminúria.
A clonidina é um agonista alfa-2 adrenérgico central, geralmente reservada como droga de quarta ou quinta linha no tratamento da hipertensão arterial resistente. Ela é útil quando o controle pressórico não é atingido com a combinação de IECA/BRA, bloqueadores de canais de cálcio e diuréticos, mas deve-se ter cautela com o efeito rebote em caso de suspensão abrupta da medicação.
Ao iniciar ou aumentar a dose de um IECA como o enalapril em pacientes com DRC, é esperado um aumento de até 30% na creatinina sérica devido à redução da pressão de perfusão glomerular. Se o aumento for superior a esse patamar ou se houver hipercalemia grave não controlada, a dose deve ser ajustada ou a medicação suspensa temporariamente para reavaliação.
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