HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2023
Paciente masculino, 58 anos, negro, comparece a consulta ambulatorial, estando assintomático. É hipertenso há 15 anos e diabético há oito anos, mas fez sua última consulta regular há mais de três anos. Utiliza regularmente Metformina 1000mg/dia, Hidroclorotiazida 25mg/dia e Amlodipino 5mg/dia. O exame físico não apresenta alterações, exceto por medida de PA: 150x90mmHg, simétrica entre os membros superiores. Exames laboratoriais colhidos na semana passada: Creatinina: 1,7mg/dL (taxa de filtração glomerular pelo CKD-EPI = 46ml/minuto); Potássio: 4,3mEq/L; Glicemia: 124mg/mL; HbA1c: 8,5%; albuminúria em amostra isolada: 425mg/g de creatinina. Tendo em vista retardar progressão de doença renal crônica, assinale a alternativa com a melhor conduta a adotar neste momento.
Paciente com DRC, hipertensão, diabetes e albuminúria → associar IECA para proteção renal e controle pressórico.
Pacientes com doença renal crônica (DRC), especialmente aqueles com diabetes e hipertensão, e presença de albuminúria, se beneficiam enormemente do uso de inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA). Esses medicamentos não apenas controlam a pressão arterial, mas também reduzem a proteinúria e retardam a progressão da DRC.
A doença renal crônica (DRC) é uma condição progressiva e devastadora, frequentemente associada a diabetes mellitus e hipertensão arterial sistêmica, que são as principais causas de DRC em estágio terminal. O manejo eficaz visa retardar a progressão da doença, prevenir complicações cardiovasculares e melhorar a qualidade de vida do paciente. A presença de albuminúria é um marcador crucial de risco de progressão da DRC. Neste cenário clínico, com um paciente hipertenso e diabético, com DRC estágio 3 (TFG 46 ml/min) e albuminúria significativa (425 mg/g), o bloqueio do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) é a intervenção mais importante para a proteção renal. Inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA) são a primeira linha de tratamento. Eles não apenas controlam a pressão arterial, mas também reduzem a pressão intraglomerular e a albuminúria, conferindo um efeito nefroprotetor direto. Para residentes, é essencial reconhecer a importância do controle multifatorial na DRC, incluindo o manejo rigoroso da pressão arterial, glicemia e albuminúria. A introdução de um IECA deve ser feita com monitoramento cuidadoso da função renal e do potássio sérico, especialmente em pacientes com TFG já reduzida, para evitar complicações como hipercalemia ou piora aguda da função renal. Outras medidas, como o uso de SGLT2i, também são importantes, mas o bloqueio do SRAA é fundamental.
Os IECA (e BRA) bloqueiam o sistema renina-angiotensina-aldosterona, promovendo vasodilatação da arteríola eferente glomerular, o que reduz a pressão intraglomerular, diminui a albuminúria e exerce efeitos nefroprotetores independentes do controle pressórico.
O alvo de PA geralmente é < 130/80 mmHg, e o alvo de HbA1c é individualizado, mas frequentemente < 7,0% para a maioria dos pacientes, desde que sem hipoglicemia significativa.
É fundamental monitorar a função renal (creatinina e TFG) e os níveis de potássio sérico 1-2 semanas após o início ou ajuste da dose do IECA, devido ao risco de hipercalemia e piora da função renal.
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