UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2021
Paciente, 52 anos, portadora de HAS, DM, tabagista, é submetida a implante endovascular de stent na aorta, sem intercorrências. Dois meses depois, a paciente queixa-se de mal-estar, manifestações em pele e dor lombar bilateral. Ao exame: orientada, hidratada, PA 130x80 mmHg e sinais de má perfusão periférica com presença de livedo reticular e “síndrome do dedo azul”. Exames: Hb 11,7 g/dL, leucócitos 9200 (presença de eosinofilia), plaquetas 170000/mm³, creatinina sérica 3,2, ureia 110 e proteinúria de 400 mg/24h. Paciente foi internada em UTI com piora progressiva da função renal, porém mantendo débito urinário normal. Foram negativos na investigação complementar o fator antinuclear, P ANCA, C ANCA, assim como os complementos séricos (C3 e C4). Qual o diagnóstico para o caso descrito?
Piora renal + livedo reticular + síndrome dedo azul pós-procedimento vascular em paciente com aterosclerose = Doença Renal Ateroembólica.
A doença renal ateroembólica deve ser fortemente suspeitada em pacientes com fatores de risco para aterosclerose que desenvolvem insuficiência renal aguda, livedo reticular e/ou síndrome do dedo azul após um procedimento vascular invasivo.
A doença renal ateroembólica, ou embolia de colesterol, é uma complicação grave e subdiagnosticada que ocorre quando cristais de colesterol e outros detritos ateroscleróticos se desprendem de placas na aorta ou grandes artérias e embolizam para a microvasculatura de órgãos distais, incluindo os rins. Geralmente precipitada por procedimentos endovasculares ou cirurgias vasculares, a ateroembolia renal manifesta-se com insuficiência renal aguda ou subaguda, livedo reticular, síndrome do dedo azul e eosinofilia. A suspeita clínica é crucial, especialmente em pacientes idosos com aterosclerose avançada e histórico de manipulação vascular. O diagnóstico é clínico, suportado por exames laboratoriais (eosinofilia, elevação de creatinina) e exclusão de outras causas. O tratamento é de suporte, visando preservar a função renal e controlar os fatores de risco cardiovasculares, pois não há terapia específica para reverter o processo embólico.
Os principais fatores de risco incluem idade avançada, aterosclerose grave, hipertensão arterial, diabetes mellitus, tabagismo e procedimentos vasculares invasivos, como cateterismo ou cirurgia aórtica.
As manifestações incluem insuficiência renal aguda ou subaguda, livedo reticular, síndrome do dedo azul, eosinofilia, dor lombar, mialgia e, ocasionalmente, manifestações gastrointestinais ou neurológicas.
A ateroembolia geralmente tem um início mais tardio (dias a semanas), presença de eosinofilia e manifestações cutâneas (livedo reticular, dedo azul), enquanto a nefropatia por contraste é de início mais rápido (24-72h) e sem eosinofilia ou livedo.
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